DIÁRIO DE UM CRONISTA

“Você é igual a Hitler!”

Paulo Briguet · 25 de Maio de 2021 às 12:32

O argumento de Renan Calheiros é igual ao da esquerda brasileira: chamar os adversários de nazistas

Reductio ad Hitlerum é um truque de retórica que consiste em comparar o debatedor adversário com Adolf Hitler ou o nazismo. A expressão teria sido utilizada originalmente pelo filósofo político Leo Strauss (1899-1973). O uso desse artifício (também chamado argumentum ad Hitlerum) indica que um debate está se encaminhando para o final, tendo em vista que uma das partes ficou sem argumentos sólidos e apelou para a identificação do adversário com a imagem do próprio mal encarnado. “Você discorda de mim porque é igual a Hitler!”

Trata-se de uma retórica ― não há melhor termo ― vagabunda, que passou a ser largamente utilizada por militantes comunistas após a Segunda Guerra Mundial. Para encobrir os assombrosos crimes do comunismo soviético, os partidários de Stálin costumavam desqualificar seus adversários com o rótulo de “nazistas” ou “fascistas”. Foi assim que Stálin tomou o poder em todos os países do Leste Europeu e promoveu, nos seis últimos meses da guerra, o maior estupro coletivo da história, que vitimou mais de 2 milhões de mulheres alemãs de todas as idades. Afinal, elas eram “nazistas”...

Poucos sabem, mas Renan Calheiros iniciou sua carreira política como militante do PCdoB, partido ao qual seu irmão, o deputado Renildo Calheiros, ainda é filiado. Todos os anos, por ocasião do aniversário do PCdoB, Renan costuma fazer um discurso no Senado em homenagem ao seu antigo partido. PCdoB, para os que não sabem, é aquele partido que ainda cultua Mao Tsé-tung e Stálin, os maiores genocidas de todos os tempos.

Não é por acaso, portanto, que o coroné Renan ― sempre aplaudido como seus fiéis jagunços da mídia ― apelou para o truque de nazificar os membros do governo federal. Da mesma forma que a esquerda brasileira considera um passeio de moto como prova de fascismo ― embora não digam isso aos motociclistas que entregam suas refeições em casa ―, o detrator da CPI pretende estigmatizar seus inimigos como membros do Terceiro Reich. É sinal evidente de desespero e psicopatia combinados.

No entanto, Renan não foi o primeiro a praticar a mesma vigarice na CPI: seu colega Alessandro Vieira, do Cidadania (novo apelido do velho PCB), também comparou membros do governo Bolsonaro ao infame Adolf Eichmann, carniceiro nazista julgado e executado em 1962.

Mas eu não vou aqui cair no erro e comparar Renan e Alessandro a Stálin. Eles estão mais perto de um canalha menor como um Vichinsky ou um Jdanov.

Paulo Briguet é cronista e editor-chefe do BSM.


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