DIÁRIO DE UM CRONISTA

O comunismo e as armas da fome

Paulo Briguet · 13 de Outubro de 2021 às 16:12

A arma mais perigosa contra a população mundial é a fome ― e já está sendo usada. Sobre a importância desse desarmamento ninguém fala nada?

Existem algumas convergências muito interessantes entre as devoções marianas de Aparecida e Fátima. A imagem em terracota de Nossa Senhora da Conceição foi encontrada em 12 de outubro de 1717; o milagre do Sol, testemunhado por milhares de pessoas, ocorreu exatamente 300 anos e um dia depois, em 13 de outubro de 1917. A estátua da Nossa Senhora Aparecida veio nas redes de três pobres pescadores; Nossa Senhora de Fátima apareceu a três pobres pastorinhos. O fato de que a cabeça e o corpo da imagem foram achados separadamente faz pensar na guilhotina, instrumento de morte utilizado na Revolução Francesa, acontecimento histórico que encerrou o século do iluminismo (XVIII); no segundo segredo de Fátima, revelado às crianças em 13 de julho de 1917, a Mãe de Deus se refere nominalmente à Rússia, que “espalhará seus erros pelo mundo”. Naquele mesmo ano, como se sabe, os comunistas tomaram o poder na Rússia, criando o primeiro estado socialista da história. O comunismo ceifaria mais de 150 milhões de vida, transformando-se no maior democídio da história.

O regime comunista, agora tendo a China como principal potência, segue multiplicando dor e opressão por todo o planeta. No livro “O Comunista Exposto”, W. Cleon Skousen, grande estudioso dos movimentos revolucionários, listou alguns objetivos do comunismo para desestabilizar os países ocidentais:

- Romper os padrões culturais de moralidade, promovendo pornografia e obscenidade em livros, revistas, filmes, rádio e TV.

- Apresentar a homossexualidade, a degeneração e a promiscuidade como sendo “normal, natural, saudável”.

- Infiltrar as igrejas e substituir a religião revelada pela religião “social”.

- Desacreditar a Bíblia e enfatizar a necessidade de uma maturidade intelectual que dispense “muleta religiosa”.

- Eliminar a oração ou qualquer tipo de expressão religiosa nas escolas, com o fundamento de que ela viola o princípio da “separação entre Igreja e Estado”.

- Desacreditar a família enquanto instituição. Incentivar a promiscuidade, a masturbação e o divórcio fácil.

- Enfatizar a necessidade de afastar as crianças da influência negativa dos pais. Atribuir “preconceitos, bloqueios mentais e retardamento das crianças à influência supressiva dos pais”.

Basta contemplar a agenda dos partidos políticos e da grande mídia para concluir que esse programa vem sendo sistematicamente implantado, hoje em dia com a poderosa adesão do globalismo (definido pelo ex-chanceler Ernesto Araújo definiu como “simbiose do marxismo com o liberalismo, tendo em vista a criação de uma sociedade de controle”). O programa avança ainda com a política de lockdowns ― que desestabilizaram a economia mundial ― e a implantação dos passaportes sanitários em todo o planeta. Some-se a isso a atmosfera de medo e desconfiança criada durante a pandemia, e teremos o plano comunista em sua plena acepção. Nossa Senhora estava certa: os erros da Rússia se espalharam pelo mundo.

Infelizmente, muitos daqueles que deveriam ser os nossos guias espirituais na presente crise civilizatória acabam por aderir aos erros profetizados pela Mãe de Deus. Neste 12 de outubro, o arcebispo de Aparecida, D. Orlando Brandes, resolveu fazer um discurso desarmamentista (“Pátria amada não pode ser pátria armada”) e repisar clichês midiáticos sobre “fake news”, “ciência” e “vacina”. Não ouvi condenações aos desastrosos lockdowns que retiraram a renda de 70% das famílias de Aparecida e deixaram a cidade em estado de miséria durante a pandemia.

Comunistas sempre usam duas estratégias quando se instalam no poder: a fome das armas (ou seja, o desarmamento da população) e as armas da fome. As armas da fome foram usadas em dois dos episódios mais terríveis da história do comunismo: o Holodomor, também conhecido como Holocausto Ucraniano (1932-34), e o Grande Salto para Frente de Mao Tse-tung (1958-62). No primeiro caso, foram 3,9 milhões de mortos. No segundo caso, 40 milhões. Há alguma dúvida de que os totalitários de nosso tempo estão dispostos a provocar algo semelhante em nome da Nova Ordem Mundial, seja ela globalista ou comunista?

Pense nisso, D. Orlando. E ― peço de todo coração ― reze por nós.

Paulo Briguet é escritor e editor-chefe do BSM.

Leituras indicadas:
A Fome Vermelha, de Anne Applebaum (Record)
A Grande Fome de Mao, de Frank Dikkötter (Record)
O Comunista Exposto, de W. Cleon Skousen (Vide Editorial)
O Milagre do Sol, de John M. Haffert (Petrus)

Todos os títulos estão disponíveis na Livraria do BSM.

 


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