ENTREVISTA BSM

Roberto Motta e o país do crime sem castigo

Claudio Dirani · 14 de Agosto de 2022 às 12:18

Autor e comentarista político da Jovem Pan, Roberto Motta, fala sobre sua mais recente obra: “A Construção da Maldade”, que aborda de forma cirúrgica décadas de degradação da segurança pública brasileira cometida pelo estado

“Veja – você pode até começar a matéria assim”, sugeriu Roberto Motta, no decorrer de nossa conversa sobre o lançamento de A Construção da Maldade – Como Ocorreu a Destruição da Segurança Pública Brasileira (quarta obra do autor carioca), com publicação da editora Avis Rara.

Compare como a mídia tratou o caso Marielle Franco e como ela lidou com o caso Tim Lopes. Ele foi torturado, sequestrado, queimado vivo... Os criminosos tiveram progressão de regime. Hoje, acredite – parece que nada aconteceu. Ninguém aprendeu nada”, concluiu o autor, que é um engenheiro civil de formação pela PUC-RJ, mas que optou por mergulhar de corpo e alma no cenário político nacional.

Em A Construção da Maldade, o atual comentarista em diversas atrações da rede Jovem Pan procura colocar os pingos nos is na trágica situação da criminalidade no Brasil. Segundo ele, um reflexo direto de décadas de impunidade e da forma branda que políticos sempre trataram do problema.

Nessa entrevista exclusiva concedida ao BSM, o conservador Roberto Motta aborda, sem medo, todas as nuances que envolvem o crime e como o crime é tratado por políticos e discutido pela mídia.

 “De 1984 para cá, todas as modificações feitas nas leis – e foram muitas – sempre foram para criar mais direitos e benefícios para criminosos”, garante o escritor.



Brasil Sem Medo – Antes de entrevistá-lo, procurei críticas sobre A Construção da Maldade, mas não encontrei nada online nos principais jornais e revistas do país. O sr. acredita que exista preconceito ou seria censura prévia?

Roberto Motta – Realmente, até agora não saiu em nenhum grande veículo de imprensa. Na mídia alternativa, digamos assim, já foram publicadas várias críticas. Já (em relação a) meu livro anterior (Os Inocentes do Leblon), saiu apenas uma crítica no Estadão. O mercado editorial para autores relativamente desconhecidos é complicado de qualquer jeito.


BSM – Além desse fator, qual queria o provável motivo da falta de cobertura da imprensa?

Roberto Motta – Existe uma hegemonia férrea na grande mídia, construída com muita doutrina e que se concentra nas universidades de jornalismo e de direito que é muito difícil de se furar.


BSM – Mas o sr. atualmente atua na Jovem Pan como comentarista. Isso não representa que parte do paradigma foi quebrado?

Roberto Motta – Quebrou um pouco o paradigma. Mas acredito que 98% desse paradigma ainda são intocáveis. É uma doutrina constante, muitas vezes imperceptível. As pessoas nem percebem. Já está inerente. Anteontem, fiz duas lives com dois grupos de conservadores – portanto, gente fora dessa bolha progressista – e nas duas lives eu chamei atenção, porque eles estavam falando de violência. E o problema do Brasil não é violência – é de crime. O primeiro passo para você tirar a culpa do bandido é não usar a expressão crime. Violência é uma expressão genérica. E para combater a violência você solta pombos, vai abraçar a lagoa...

Para ler a entrevista completa, assine o BSM.