DIÁRIO DO CRONISTA

Poema do lockdown

Paulo Briguet · 23 de Agosto de 2022 às 16:41

Variações sobre um slogan ligeiramente modificado




Fique em casa se puder.
Fique aí, pode ficar.
Mas se você não quiser
vou tomar seu alvará.

Fique em casa, fique sim.
Feche as portas e janelas.
E quem não fizer assim
vai ficar nas nossas celas.

Fique em casa, seu otário.
Fique em casa, meu amigo.
Com Netflix e salário,
Ficar em casa eu consigo.

Fique em casa, sem pirraça.
Fique em casa, fique agora.
Aqueles que ficam na praça
Serão presos sem demora.

Fique em casa, cidadão.
Não é nada pessoal.
E assista à televisão,
que ela é essencial.

Fique em casa, use panos
sobre o nariz e a boca.
Se tiver perdas e danos,
Será só coisinha pouca.

Vacine-se quem quiser,
Ninguém será obrigado.
Mas depois o choro é livre
Se ficar desempregado.

Fique em casa, fique aí
até a quarta vacina.
E nem pense em ingerir
Uma ivermectina.

Fique em casa, tome tento,
Pois é preciso ficar.
Só busque atendimento
Se sentir falta de ar.

 


"Por apenas R$ 29/mês você acessa o conteúdo exclusivo do Brasil Sem Medo e financia o jornalismo sério, independente e alinhado com os seus valores. Torne-se membro assinante agora mesmo!"