ENTREVISTA BSM

“O futuro do Chile está em jogo no plebiscito”, adverte deputado conservador

Diego Hernandez · 3 de Setembro de 2022 às 18:53

Chilenos vão neste domingo às urnas para decidir se aceitam ou rejeitam a nova Constituição. Deputado conservador afirma que aprovação levaria “ao fracasso total do país”

O futuro do Chile está em jogo no dia 4 de setembro. A proposta de uma nova Constituição vai às urnas neste domingo para ser aprovada ou rejeitada em um plebiscito. Trata-se de um texto controverso, que confronta e divide os chilenos. A opção "rejeito" está na frente em todas as pesquisas, com uma distância do "aprovo" entre 9 e 16 pontos percentuais.

"A rejeição tem um respaldo transversal porque a maioria das pessoas está convencida de que a Constituição proposta é prejudicial e que nos levaria a um fracasso total como país. O Chile está por decidir o caminho seguirá pelos próximos 30 anos", diz Cristián Araya, advogado, deputado nacional pelo Partido Republicano do Chile. O BSM falou com ele:


BSM: O que está em jogo para o Chile no plebiscito de 4 de setembro?
Cristián Araya
: O futuro do Chile. Está em jogo o caminho que o país vai percorrer nos próximos 30 anos. Uma alternativa, a do " aprovo", é a mesma que levou Argentina, Bolívia e Venezuela à ruína; e a outra, a do " rejeito", aponta para a liberdade e a prosperidade, preservando e protegendo o progresso conseguido nas últimas três décadas.

BSM: O texto apresentado pela Convenção Constituinte é assim tão ruim?
Cristián Araya
: Sem dúvida. Porque divide o Chile de muitas maneiras: através da “plurinacionalidade” que impõe, já que “cria” dentro do mesmo país múltiplas “nações” com privilégios especiais; e estabelece também sistemas de justiça paralelos que colocam um fim à igualdade de todos perante a lei.

BSM: Como ficariam as instituições?
Cristián Araya
: Enfraquecidas. Desaparece o Senado – do sistema legislativo bicameral –, deixando pouco espaço para controles e equilíbrios do poder; outorga muito poder ao Estado em diversas áreas, como a saúde, e dificulta o desenvolvimento de um entorno estável que possibilite investimentos.

BSM: E quanto aos valores fundamentais: vida e família?
Cristián Araya
: A proposta de nova Constituição apresenta o aborto como direito, não coloca limites para sua prática, nem causais nem gestacionais. Permite a eutanásia. Promove a ideologia do gênero. Não protege a liberdade de educação, a diversidade de projetos educacionais e muito menos o direito preferencial dos pais de educar seus filhos.

BSM: É um texto muito radical...
Cristián Araya
: Esta não é uma Constituição para a República do Chile, nem é para os chilenos. É um texto que procura dar poder e controle a minorias não representativas, incluindo os povos indígenas, mas com um tom ideológico.

BSM: É indigenista?
Cristián Araya
: Sim. As organizações indigenistas aproveitaram uma maioria circunstancial na Convenção, conseguida com vagas reservadas para indigenas, para impor sua ofensiva refundadora e ultraesquerdista.

BSM: Como isso aconteceu?
Cristián Araya
: Não se deve esquecer que o acordo para elaborar uma nova Constituição foi feito com base na violência insurrecional orquestrada desde 18 de outubro de 2019, que tinha como objetivo derrubar o governo anterior e que, ao não conseguir fazê-lo, acabou forçando um acordo. É originalmente o resultado da violência de rua provocado pela extrema-esquerda e da incapacidade do Estado em combater a ofensiva subversiva.

BSM: Qual será, na sua opinião, o resultado do plebiscito?
Cristián Araya
:  As pesquisas mostram consistentemente uma diferença significativa em favor da opção pelo "rejeito". O Chile não quer se submeter novamente a uma experiência social impulsionada pela extrema esquerda e espero que isso seja fortemente refletido nas urnas o domingo.

BSM: A opção pelo "rejeito" tem sido apoiada até mesmo por alguns líderes de esquerda?
Cristián Araya
: O "rejeito" tem um apoio transversal, porque a maioria das pessoas está convencida de que essa proposta de Nova Constituição é muito ruim e nos levaria ao fracasso total como país, destruindo todo o progresso que fizemos nos últimos 30 anos.

BSM: A campanha pelo "rejeito" parece ser plural e muito robusta...
Cristián Araya
: Sim. A campanha de rejeição foi liderada por organizações de cidadãos que perceberam o engano ao qual um grupo minoritário e radical quer submeter os chilenos.

BSM: Qual tem sido o papel do Partido Republicano?
Cristián Araya
: Nosso partido tem feito muito trabalho no terreno, pé no chão, apoiando grupos de cidadãos e informando-os por que é necessário rejeitar, mas são os cidadãos comuns que têm feito o trabalho mais importante.

BSM: O que acontecerá no dia seguinte ao plebiscito?
Cristián Araya
: Espero que voltemos ao caminho do desenvolvimento e que o país volte ao colocar-se em funcionamento, compensando o tempo perdido desde o fatídico outubro de 2019. Vejo com grande preocupação que o atual governo, a esquerda e os tradicionais partidos de oposição, desligados da realidade e do mandato do povo chileno, queiram nos levar de volta a um novo – e desgastante – processo constituinte.

 


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