TAPA CULTURAL

O pai dos pobres que era amado pelos ricos

Brás Oscar · 5 de Maio de 2022 às 16:46

Lula, que só pensa no brasileiro oprimido, é amado pelas elites opressoras

Imagine um enredo absurdista, daquelas peças esquisitas de vanguarda, tipo as do Beckett, onde um homem é idolatrado e aclamado como rei por aqueles que, sabidamente, ele jurou destruir.

Lula, o inimigo das elites, que só pensa no pobre brasileiro oprimido pelo capitalismo, é amado por aqueles que ele acusa de explorarem seus pobres de estimação: os bancos, as corretoras financeiras, Hollywood, a grande mídia, burocratas com salários de marajás e até mesmo diretores da CIA. Todos o veneram como o justo príncipe.

O teatro do absurdo é uma evolução do teatro das tesouras: não há mais os velhos argumentos de vilão contra mocinho; isso é muito fim-de-século para a política pós-moderna. O novo conceito é que eu, você e todo mundo que conta os trocados no fim do mês para conseguir morar num bairro de classe média é que somos a elite.

A elite, digo, a ex-elite, é na verdade é uma liga de benfeitores do planeta que ajudaram Lula, o cavaleiro da esperança, a reconhecer seu verdadeiro inimigo: o cidadão que paga 200 reais a mais no condomínio para ter uma churrasqueira compartilhada, afinal ele goza com a cara do planeta com seu churrasco não-vegano, às custas de carbono, assassinato de vacas e madeira de alguma pobre árvore transformada em carvão.

DiCaprio tem o direito de conclamar o exército de debiloides ouvintes da Anita para nos dar uma lição de moral nas eleições, pois ele é um cara bonito que recebe dinheiro para fingir sentimentos, tal qual as antigas hetairas, prostitutas de luxo da antiga Grécia que proporcionavam alegria aos homens ricos, mas também  ganharam fama por terem se metido constatemente em assuntos de política e guerra de seus clientes.

Diferente das pornói, meras profissionais da vida fácil, as hetairas eram verdadeiras pop stars de Atena. Viu só como o teatro de vanguarda absurdista dialoga com o clássico?

Para entender melhor este salseiro surrealista, assista a estes dois machos heteronormativos elitistas, Brás Oscar e Bernardo Küster, discutindo - sem lugar de fala - sobre o porque Lula, o pai dos pobres, é amado pelos multimilionários.

 

 

 


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