EDUCAÇÃO

Ilona, a solução para o MEC

Paulo Briguet · 29 de Junho de 2020 às 16:47

Atual secretária de Educação Básica, Ilona Becskeházy, é hoje um dos melhores nomes para assumir o Ministério da Educação

Com a escolha de Carlos Alberto Decotelli, a crise no MEC parecia ter chegado ao fim. Ufa! Era o homem certo para acalmar os ânimos e iniciar um “diálogo” com todas as tribos beligerantes que cobiçam o domínio da educação brasileira. Economista, conciliador, simpático, técnico, bom currículo. Opa, alto lá! Doutorado inconcluso na Argentina? E, na Alemanha, pós-doutorado sem doutorado? Ficou muito feio. Tão feio quanto o doutorado da Dilma na Unicamp ou o recentemente descoberto plágio (da colega) do Moro. Definitivamente, não será uma boa ideia para o presidente Bolsonaro ter um Doutor Honoris Quase na Esplanada ― principalmente no prédio vigiado pelo espectro de Paulo Freire.

Decotelli, o agora quase-ministro, teve seu nome afiançado pelos militares da Casa Civil. Estas articulações envolviam o nome do atual ministro interino Antônio Paulo Vogel. Secretário-executivo de Abraham Weintraub, mas com uma folha de serviços prestados a governos petistas, Vogel se manteria como n° 2 da pasta e ministro de facto. Decotelli seria, digamos assim, uma Rainha da Inglaterra, aparecendo muito e mandando pouco.

(Um parêntese necessário. Para que servem a Casa Civil e os serviços de inteligência mesmo? Não estaria entre suas funções avaliar, com lupa, o currículo dos nomes indicados ao governo? Ou essa lupa só funciona caso os nomes tenham alguma relação, por remota que seja, com Olavo de Carvalho?)

Ao escolher um novo nome para o MEC, o presidente Bolsonaro deveria levar em conta toda essa articulação entre Vogel e os generais para a indicação de Decotelli a uma área tão sensível e cobiçada do governo. E mais: deveria ter em mente que toda essa crise ― desde a saída de Abraham Weintraub, tornado herói da liberdade no Brasil ― precede o momento de definir novos nomes para o Conselho Nacional de Educação (CNE). Weintraub já deixou uma lista de conselheiros extremamente qualificados, entre eles os professores Tiago Tondinelli e Gabriel Giannatasio. Seria a articulação de Vogel ― como dissemos, um ex-servidor de governos petistas ― uma forma de garantir o aparelhamento esquerdista-globalista no CNE? Aposto uma assinatura do BSM que sim.

O que resta ao presidente Bolsonaro, se quiser manter o MEC a salvo das hienas esquerdistas, dos tubarões globalistas e das capivaras da velha política? Como já tive oportunidade de dizer aqui no BSM, a saída de mestre seria escolher uma das mais qualificadas e competentes conhecedoras da educação brasileira: Ilona Becskeházy, atual secretária de Educação Básica do MEC. Doutora em políticas educacionais, com mais de 20 anos de dedicação e um vasto conhecimento da produção científica internacional na área, Ilona é uma das grandes entusiastas do Política Nacional de Alfabetização (PNA), talvez o projeto mais importante de todo o governo federal nestes 18 meses.

Ilona não é um Doutora Honoris Quase. Ela é a mulher que pode salvar a educação brasileira de seus piores inimigos.

Paulo Briguet é cronista e editor-chefe do BSM.


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