EUROPA

A revolução sexual e o fim da Alemanha

Especial para o BSM · 13 de Maio de 2022 às 16:01

Com menos nascimentos do que mortes desde 1971, nenhum país no mundo teve a taxa de fertilidade tão baixa por tanto tempo



Pacelli Luckwü
Especial para o BSM

 

Já são 50 anos seguidos em que a Alemanha registra mais óbitos do que nascimentos. No ano passado foram 228.000 mais mortes do que bebês vindo ao mundo. É o maior déficit desde a Segunda Guerra Mundial.

A Alemanha, conhecida no século XX por impor sua visão de mundo aos outros países, parece querer se anular.

É comum as pessoas levantarem o questionamento sobre a aceitação dos alemães à chegada de imigrantes. Muitos estranharam a pressa do país, governado naquele momento por Merkel, em aceitar centenas de milhares de refugiados a partir de 2015.

Fato é que, se a Alemanha não tivesse um saldo tão positivo de imigrantes nas últimas décadas, sua população já teria diminuído na casa dos milhões.

Entre 1971 e 2021, foram 6,1 milhões de pessoas a mais morrendo na Alemanha do que nascendo.

Apesar disso, a população cresceu em cerca de 4 milhões. Como? Imigração.

O órgão federal de estatística alemão divulgou que um a cada quatro pessoas vivendo no país ou é imigrante ou é filho de ao menos um.

A última vez que o país registrou mais nascimento que morte foi em 1971, pouco depois do movimento de 1968 e sua pauta de revolução sexual. Os valores professados em 68 e a pílula anticoncepcional são tidos como os principais responsáveis pela baixa taxa de fertilidade.

Nenhum país no mundo teve a taxa de fertilidade tão baixa por tanto tempo. Durante 40 anos, esse número se manteve abaixo de 1,5 filho por mulher.

Desde 2015, porém, houve um leve aumento, contribuição das mulheres de origem muçulmana, sírias, afegãs e iraquianas. Entre esse grupo, a taxa de fertilidade chega a 4,6 filhos por mulher.

A população alemã, por conta das décadas de baixa natalidade, está envelhecendo a olhos vistos. Para piorar a situação demográfica, entre 2005 e 2020, foram registrados 728.000 alemães a mais saindo do país do que retornando.

São milhares, centenas de milhares de alemães abandonando o país a cada ano.

E essa nem é a maior tragédia para esse país do velho continente. Cerca de uma a cada nove gestações terminam em aborto, prática legalizada.

O jornal Die Welt divulgou números do Destatis relacionados ao tema: de 773.000 nascimentos em 2020, houve 100.000 abortos. De acordo com o periódico, raramente esses abortos foram realizados por indicação médica ou por delito sexual.

Em 2021, a Alemanha registrou outro número que mostra o triunfo da revolução sexual e dos valores de 1968: nunca no país houve tão poucos casamentos.

 


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