DIÁRIO DO CRONISTA

Vida e martírio de Edith Stein

Paulo Briguet · 9 de Agosto de 2022 às 11:38

Há exatos 80 anos, a filósofa e teóloga alemã Edith Stein morria nas câmaras de gás de Auschwitz. De pensadora ateia na juventude, ela se tornou carmelita descalça e uma das santas católicas mais importantes do nosso tempo



“A união nupcial da alma com Deus é o fim para o qual a alma foi criada, e é uma união adquirida pelo preço da cruz, realizada na cruz e selada, para todo o sempre, com a cruz.”
(Edith Stein)


Uma das maiores santas do nosso tempo voltou para a Casa do Pai há exatos 80 anos. Em 9 de agosto de 1942, um domingo, a filósofa e teóloga alemã Edith Stein morreu nas câmaras de gás do campo de Auschwitz. Quando minha vida parece difícil ou minha fé vacila, eu gosto de pensar no exemplo dessa admirável mulher.

Nascida em uma família de judeus alemães em 12 de outubro de 1891, Edith cedo revelou inteligência e sensibilidade ímpares. Embora seguisse os valores éticos e culturais do judaísmo, afastou-se da religião, declarando-se ateia ainda na juventude. Em 1905, ingressou na Universidade de Göttingen, realizando o sonho de tornar aluna do célebre filósofo Edmund Husserl. O autor de Investigações Lógicas havia trocado a matemática pela filosofia e lançara as bases teóricas da fenomenologia.

Incentivada por Husserl, Edith buscava respostas para as grandes dúvidas e angústias da vida humana. Tornou-se dileta amiga do professor Adolf Reinach, um ex-ateu convertido ao cristianismo. Durante um passeio com Pauline Reinach, esposa de Adolf, pela cidade velha de Frankfurt, Edith teve uma experiência que a marcou profundamente: “Entramos na catedral por uns minutos e, no meio daquele silêncio, entrou uma mulher com sua bolsa de compras, ajoelhou-se com profundo recolhimento e pôs-se a rezar. Isso foi para mim algo totalmente novo. Foi uma sensação que não pude esquecer.”

Com a morte de Adolf Reinach na Primeira Guerra Mundial, a jovem filósofa ateísta interessou-se cada vez mais pela religião católica. Em 1922, recebeu o sacramento do batismo. Não cessou sua atividade intelectual: escreveu vários trabalhos filosóficos e atuou no Instituto Pedagógico de Münster até 1933, quando, por ser judia de nascimento, foi demitida pelos nacional-socialistas.

Em 1934, tornou-se uma freira carmelita descalça, adotando o nome de Teresa Benedita da Cruz. Com o aumento da perseguição aos judeus, foi transferida em 1938 para o convento de Echt, na Holanda, onde os nazistas a prenderam quatro anos mais tarde. Jamais renegou suas origens judaicas. Quando os nazistas a capturaram, disse à irmã Rosa, também levada para o campo de concentração: “Vamos para o nosso povo”.

A obra magna de Edith Stein é o livro “A Ciência da Cruz”, em que faz uma bela e profunda reflexão sobre a mística de São João da Cruz. As últimas páginas que ela escreveu, pouco antes de ser levada pelos nazistas, narram a alegria do santo em seus últimos momentos, ao antever o encontro com Deus. Penso que Edith Stein — canonizada por outro santo, João Paulo II, em 11 de outubro de 1998 — teve um encontro semelhante. Depois da cruz, a eternidade.

Santa Edith Stein, rogai por nós!

Paulo Briguet é escritor e editor-chefe do BSM.

 


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