RISCO DE VIDA

Obesidade mata 8.000% mais mulheres do que o “feminicídio” no Brasil

Especial para o BSM · 11 de Julho de 2022 às 14:47

Macarrão instantâneo, barras de chocolate e refrigerante são muito mais mortais para as mulheres brasileiras do que o “machismo estrutural”

Thiago Cortês
Especial para o BSM

 

O número de mulheres brasileiras que morrem em consequência de doenças associadas à obesidade é cerca de 8.000% (oito mil por cento) maior do que as estatísticas de “feminicídio”, representando uma das maiores causas reais de mortalidade feminina no País.

Cerca de 168 mil mortes por ano no Brasil são atribuíveis ao excesso de peso e obesidade, uma taxa anual que tem se mantido ao longo de mais de uma década de acordo com estudo da revista científica Preventing Chronic Disease, publicado em 2019.

Estima-se que 64% das mortes por obesidade sejam de mulheres. O que seria o equivalente à impressionante taxa anual de 107 mil mortes de mulheres por causa da obesidade.

A pesquisa não pôde ser atualizada em 2020, mas os pesquisadores são unânimes em afirmar que os números aumentaram durante a pandemia, pois os brasileiros consumiram mais produtos ultraprocessados (macarrão instantâneo, bolachas, cereais e sucos artificiais).

Embora não se fale disso nos grandes veículos de imprensa, o fato é que a obesidade representa hoje um dos maiores fatores de risco de vida para as mulheres brasileiras.

De acordo com os dados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNE), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2003 a 2019 a proporção de mulheres acima dos 20 anos com obesidade aumentou de 14,5% para 30,2%.

Além da obesidade, o sobrepeso atinge mais as mulheres: 62,6% estão obesas ou com excesso de peso, enquanto entre os homens o problema alcança 57,5%.

A obesidade e o sobrepeso são os atalhos mortais de doenças como hipertensão, diabetes, apneia do sono e câncer, além do acúmulo de gordura no fígado e infarto do miocárdio e complicações decorrentes de cirurgias.

Apesar disso, não existem campanhas massivas e específicas de conscientização sobre os males e riscos da obesidade para as mulheres brasileiras.  


Feminicídio

Por sua vez, o combate ao “feminicídio” é tema de inúmeras campanhas de conscientização protagonizadas por artistas, levadas ao público por grandes emissoras de TV, com apoio de instituições como o Supremo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) e o Ministério da Justiça.

Porém, não há nenhuma evidência de que exista alguma “epidemia” de casos que se encaixem na categoria de feminicídio no Brasil. Muito pelo contrário, os números apontam para um cenário de histeria midiática desprovida de qualquer ligação com a realidade.

De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, foram registrados 1.319 casos de feminicídio no ano de 2021.

A taxa registrada em 2021 representa uma queda de 2,4% nos números de 2020.

Para que o leitor compreenda bem, vale enfatizar a definição jurídica de feminicídio: todo homicídio praticado contra a mulher por razões da condição do gênero feminino, ou seja, por menosprezo ou discriminação à condição de mulher.

O conceito de feminicídio, é claro, representa motivo de controvérsias jurídicas e semânticas, mas o importante é o seguinte: ele não é um problema real para a maioria das brasileiras.   

O engajamento barulhento de artistas e celebridades políticas na causa de combate ao feminicídio pode dar a impressão de que centenas de milhares de mulheres brasileiras são mortas por machistas que se escondem nos arbustos e nas esquinas. É mentira.

A verdade é estamos diante de mais uma narrativa de demonização dos homens para alimentar políticas públicas e mudanças na legislação que agradem ao movimento feminista.

Thiago Cortês é sociólogo e jornalista.

 


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