EDITORIAL

Carta aberta ao Presidente da República

Redação BSM · 16 de Junho de 2020 às 17:20

Jair, defenda aqueles que sempre o defenderam! Ou seremos todos condenados por exercício da liberdade...

Senhor Presidente,

Logo depois da histórica vitória nas eleições de 2018, o sr. fez um depoimento à nação, tendo sobre a mesa três livros: uma biografia de Winston Churchill, uma coletânea de Olavo de Carvalho e uma Bíblia Sagrada. Um ano e oito meses depois daquele momento inesquecível, o Brasil e o mundo vivem um período de extrema turbulência e perplexidade — uma tormenta que, ironicamente, envolve o conteúdo daquelas três obras. Em Londres, militantes de extrema-esquerda vandalizaram a estátua de Sir Winston Churchill, o homem que fez o mundo vencer o nazifascismo. (Conseguiram aquilo que Hitler sempre sonhou fazer: prender Churchill.) No Brasil, o professor Olavo de Carvalho e muitos de seus alunos sofrem uma perseguição inaudita, coroada por um inquérito ilegal e tirânico da Suprema Corte. Entre os seguidores do mais importante livro sobre aquela mesa, a situação não é diferente: acuados, atemorizados e humilhados, proibidos de exercer a própria fé publicamente, os cristãos lamentam-se na solidão das casas e suplicam a compaixão de pastores que muitas vezes parecem ter dado as costas a Jesus Cristo.

Por toda parte — mas de maneira especialmente cruel no Brasil —, os conservadores estão sendo atacados, ofendidos, difamados e censurados. Homens ou mulheres, jovens ou velhos, brancos ou negros, pobres ou ricos, vivos ou mortos, todos aqueles que defendem os valores essenciais da civilização judaico-cristã estão recebendo, na vida real e no universo virtual, a marca da proscrição. Pouco a pouco, a mídia e a cultura, dominadas pelo progressismo, transformam os milhões de brasileiros que apoiam o seu governo em párias, em monstros, em não-pessoas.

As recentes ações totalitárias dos juízes do STF — não daremos a elas o respeitável nome de “inquérito” — não se destinam a garantir a segurança nacional, até porque os mesmos juízes permaneceram calados e acovardados quando uma organização criminosa saqueou e destruiu o país; objetivam, tão-somente, preservar a inatingibilidade dos 11 indivíduos que ora ocupam o mais alto tribunal da nação. Lembramos, Presidente, que a quase totalidade desses juízes foi indicada pela mencionada organização criminosa, travestida de legenda partidária. 

Para conseguir criar esse campo de força em torno de si, os ditadores togados vão fazer tudo contra os que ousarem questioná-los.  E o que queremos dizer por “tudo”? Aquilo que tantos vêm fazendo contra o sr. desde as eleições: atacar, caluniar, intimidar, censurar, agredir, mentir, esfaquear pelas costas. O sr. foi alvo de todos esses abusos; tenha compaixão daqueles que agora sofrem o mesmo!

Nos últimos três anos, desde que surgiu a sua candidatura, as pessoas que hoje estão sendo perseguidas o defenderam com sinceridade, com entusiasmo, com esperança. Mas onde está o sr. agora para defendê-las? Hoje, os alvos da ditadura togada parecem alguns poucos. Mas a característica de todo processo totalitário — basta ver os exemplos históricos — é o aumento geométrico: agora são dezenas; amanhã, centenas; depois, milhares — até que todos os 58 milhões de brasileiros que o escolheram sejam considerados criminosos inafiançáveis, culpados por pensamento, por consciência, por exercício ilegal da liberdade.

Presidente, deixe de ouvir aqueles que estão confortavelmente instalados nos gabinetes do poder, e valorizam o cargo mais do que a própria vida. Deixe de seguir aqueles que se calaram enquanto o país era dominado por criminosos. Deixe de aceitar acordos com gente que nunca o respeitará e só espera o momento certo de traí-lo. Bajuladores, áulicos e traidores profissionais hoje representam uma doença mais letal que a do vírus; este ao menos não se tenta passar por amigo.

Ouça, Presidente, aqueles que o defenderam de peito aberto. Aqueles que, como diz a célebre Carta a Diogneto, “são desprezados, mas no meio das desonras sentem-se glorificados; difamados, mas justos; ultrajados, mas benditos; injuriados, prestam honras; fazendo o bem, punidos como malfeitores”. 

Nesta hora grave, defenda aquele que sempre o defendeu, Presidente: o povo brasileiro. E lembre-se das palavras de Churchill aos isentões e traidores de seu tempo: “Entre a desonra e a guerra, eles escolheram a desonra — e terão a guerra”.

 


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