DIÁRIO DE UM CRONISTA

A Carta do Socialismo e a Stasi brasileira

Paulo Briguet · 12 de Agosto de 2022 às 15:42

Quando eles dizem democracia, entenda-se socialismo. É tudo isso que você precisa saber sobre a carta dos esquerdistas brasileiros
 



Quando tomei conhecimento da Carta às Brasileiras e Brasileiros em defesa do Estado Democrático de Direito, imediatamente eu me lembrei de um Estado que, até a sua extinção em 1989, orgulhava-se de suas credenciais democráticas. O nome dessa nação era República Democrática da Alemanha. Sim, esse era o nome oficial da Alemanha Oriental, governada a mão de ferro pelo Partido Socialista Unificado da Alemanha (em alemão, Sozialistische Einheitspartei Deutschlands, SED).

A piada que se ouvia à boca pequena na época era que a RDA não era nem república (por se tratar de uma bandidocracia), nem democrática (por ser obviamente uma ditadura), nem alemã (porque os russos é que mandavam por lá).

Outra piada envolvia o ditador Erich Honecker. Ele teria o costume de saudar o Sol de manhã:                                                                                                   

— Bom dia, companheiro Sol!

E o Sol respondia:

— Bom dia, companheiro Honecker.

Até que um dia o líder comunista decidiu mudar seus hábitos e saudar o Sol no final da tarde.

— Boa tarde, companheiro Sol.

E o Sol em silêncio.

— Boa tarde, companheiro Sol!

E nada.

Com voz de comando, Honecker repetiu pela terceira vez:

— Boa tarde, companheiro Sol!

E o Sol finalmente respondeu:

— Não me encha o saco que agora eu tô no Ocidente.

Um alemão-oriental corria risco de passar uma boa temporada na prisão só por contar uma dessas piadas.

 

Erich Honecker e Angela Davis em 1974: bons companheiros


Nesse país dos infernos, do qual todos queriam fugir, e em que até crianças eram fuziladas por tentar o Muro de Berlim, conhecido como Muro da Vergonha (leia o artigo de nosso colaborador Pacelli Luckwü), forneceu, em 1989, uma das maiores provas da superioridade da economia de mercado sobre a economia “socialista” (na verdade, o termo correto seria economia fascista): com a queda do Muro, descobriu-se que a renda per capita do lado ocidental era sete vezes maior que a do lado oriental. E isso em um país com a mesma cultura, o mesmo povo, a mesma língua e as mesmas dificuldades no pós-guerra. (A propósito, o nome oficial do Muro de Berlim era Barreira de Proteção AntifascistaAntifaschistischer Schutzwall.)

 

Comemoração dos 25 anos do Muro de Berlim (oficialmente, Barreira de Proteção Antifascista) em 1986


A República Democrática da Alemanha podia não se destacar por sua produção econômica, mas era imbatível em um quesito: a eficiência e ubiquidade de sua polícia secreta, a Stasi. Em se tratando de manter o povo em estado de escravidão e terror, os socialistas da Alemanha Oriental eram incomparáveis. Para combater qualquer possibilidade de oposição política, a Stasi usava a técnica conhecida como Zersetzung (que significa decomposição), e consistia em dilacerar psicologicamente aqueles que eram considerados oponentes ou inimigos do Estado Democrático. Com as informações obtidas por meio de espionagem, a Stasi montava um perfil sociopsicológico dos investigados e usavam os pontos fracos de cada um (alcoolismo, adultério, uso de drogas, interesse por pornografia, dependências sentimentais, doenças) para infernizar a vida dos supostos traidores do socialismo. As práticas da Stasi incluíam cartas e telefonemas anônimos, envenenamento de alimentos, sabotagem de automóveis, fotos comprometedoras – tudo para desestabilizar amizades, casamentos, namoros e relações familiares até que as pessoas estivessem em estado psicológico que as impedisse de questionar o regime. Muitos casos terminavam em divórcios, rompimentos e suicídios. A vantagem do método Zersetzung era que seus danos eram de difícil comprovação e dificilmente poderiam comprometer a imagem do regime no exterior. Para manter em funcionamento essa máquina de terror contra a população, a Stasi empregava nada menos do que 91.015 funcionários, além de contar com 173.081 informantes não-oficiais.

E vocês sabem quem viajou para a ex-Alemanha Oriental poucos meses depois da queda do Muro de Berlim, para conversar com seus companheiros socialistas? Ele mesmo: o descondenado, o ex-presidiário, o nove-dedos. Ele havia acabado de perder as suas primeiras eleições presidenciais para Fernando Collor e foi buscar na terra da Stasi o apoio para “recuperar na América Latina aquilo que perdemos no Leste Europeu”, nas palavras do seu companheiro Fidel Castro, que juntamente com ele fundaria o Foro de S. Paulo naquele ano de 1990.

Que o povo brasileiro não se engane. A democracia defendida pelos signatários da Carta esquerdista lida em todas as universidades brasileiras nesta semana é a democracia da Stasi: aquela que é sinônimo de socialismo. Todos esses sujeitos que hoje dizem lutar pela democracia estão preocupados em garantir a implantação do socialismo no Brasil, e mais nada. Se estivessem legitimamente preocupados com a liberdade e os direitos fundamentais das pessoas comuns, teriam assinado o Manifesto pelas Liberdades e estariam questionando os desmandos da banca de advogados esquerdistas antigamente conhecida como STF.

Enquanto os advogados do PT, professores militantes e ex-artistas de esquerda liam a Carta do Estado Democrático de Direito, a Stasi brasileira mais uma vez negava o direito de defesa aos cidadãos perseguidos no Inquérito do Fim do Mundo. Eles querem é fazer uma Zersetzung da liberdade no Brasil.

Paulo Briguet é escritor e editor-chefe do BSM.

 


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