DIÁRIO DE UM CRONISTA

A bandeira censurada

Paulo Briguet · 3 de Agosto de 2022 às 13:23

Eles querem destruir a força que Deus, a Pátria e a família criam em você. E para isso precisam acabar com a sua liberdade
 




No final da semana passada, a seleção brasileira de futebol feminino sagrou-se campeã da Copa América, realizada na Colômbia, com uma vitória de 1 a 0 sobre as donas da casa. Não sou exatamente um grande fã de futebol feminino, mas tive a minha atenção despertada por uma cena que ocorreu durante a cerimônia de premiação das campeãs. Uma das jogadoras do Brasil, Giovana Queiroz, caminhava até o pódio enrolada na bandeira nacional, quando foi abordada por um homem, aparentemente funcionário da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol). O sujeito solicitou a Giovana que lhe entregasse a bandeira, impedindo-a de subir ao pódio com o símbolo nacional.

Desde que me entendo por gente, tenho visto atletas brasileiros comemorarem suas vitórias ostentando a bandeira do país. Aconteceu durante as vitórias do Brasil nas Copas de 1994 e 2002, assim como nos triunfos de nossos atletas individuais e equipes em Olimpíadas. Nos momentos de glória e alegria, os vencedores também costumam manifestar a sua fé religiosa: lembro-me de Neymar com a faixa em que se lia 100% Jesus, na final dos Jogos Olímpicos do Rio, e das garotas do vôlei rezando o Pai-Nosso após a conquista de uma medalha de ouro. Da mesma forma, a família é lembrada durante as comemorações. Ao erguer a taça do penta, o capitão Cafu gritou: “Eu te amo, Regina!”, em homenagem à sua mulher. Mães, pais, filhos e irmãos são sempre mencionados pelos vitoriosos.

Por uma tendência profundamente arraigada na natureza humana, os campeões costumam voltar seus pensamentos para essas três direções nos instantes de vitória: Deus, Pátria e família. Justamente os três valores mais atacados pela militância esquerdista em nosso tempo. A depender da mídia, da burocracia política e das universidades, toda e qualquer referência ao cristianismo, ao patriotismo e ao amor familiar seria banida da esfera pública. É a “terrestrialização absoluta do pensamento”, ou seja, a eliminação de todos os valores que ordenam a alma e elevam o espírito humano – o sonho dourado de Antonio Gramsci e de todos os juízes iluminados e intelectuais ungidos da modernidade.

A “longa marcha pelas instituições”, no entanto, parece ter atingido as entidades esportivas. A Conmebol, de fato, proíbe a utilização de bandeiras nacionais por atletas durante as cerimônias de premiação. Escrevam o que vou dizer agora: Chegará ainda o dia em que a menor menção a Deus, à Pátria ou à família será motivo para cancelar os títulos esportivos dos atletas desobedientes.

Para estabelecer seu domínio, os três blocos que disputam a primazia do poder mundial – o globalismo ocidental, o comunismo eurasiano e o fascismo islâmico – precisam eliminar todo senso de nacionalidade, toda ideia de patriotismo e todo reconhecimento das virtudes cristãs. Como ensinava o professor Olavo de Carvalho, a luta não se dá entre o socialismo e o capitalismo, mas entre o globalismo e o cristianismo. Todos os três blocos em disputa – a Oceania, a Eurásia e Lestásia do nosso tempo – combinam elementos do socialismo e do capitalismo com vistas a fortalecer um poder central e inquestionável. Eles querem destruir a força que Deus, a Pátria e a família criam em você. E para isso precisam acabar com um quarto valor fundamental: a sua liberdade.

Li recentemente o ensaio de Ricardo Peake Braga no livro Suprema Desordem, publicado pela Editora E.D.A., em que o autor discute a substituição da Lei de Segurança Nacional pela Lei do Estado Democrático de Direito. Com argúcia, o ensaísta adverte que não se trata de uma simples mudança terminológica, mas uma transformação substancial. Se o foco da legislação anterior era proteger a nação, agora o objetivo da lei é blindar o Estado. A coletividade e o aparelho estatal se sobrepõem ao indivíduo e à sua identidade. O Estado de Direito vira o Direito do Estado. Se os donos do poder assim decidirem, você será proibido de manifestar o seu amor pela Pátria, pela família ou por Deus. Para o bem de todos e a felicidade geral do Estado, me dá aqui essa bandeira.

Paulo Briguet é escritor e editor-chefe do BSM.

 


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