QUARENTENA

VIVER DÁ TRABALHO (ou: Por que tanta gente quer um suggar daddy)

Brás Oscar · 19 de Abril de 2020 às 11:45

É um baita paradoxo: o homem de antigamente que entendia que não se tem pão sem o suor do rosto trabalhava menos tempo que o homem contemporâneo tão sedento de um estado que lhe dê de comer e lhe diga o que fazer

Numa conversa de bar, há algumas semanas, um amigo lamentava sua pusilanimidade diante qualquer situação onde ele precisava bater o martelo. Não era apenas no trabalho, mas desde os problemas domésticos mais simples às decisões que mais marcariam sua vida; tudo se tornava um drama que o torturava diante das imensas possibilidades que se desdobravam em sua imaginação quando ensaiava os possíveis desfechos para as possíveis decisões.

Tudo o que eu queria era alguém que me dissesse: faça isso; faça assim; faça assado… e eu o faria, de bom grado, desde que eu confiasse nesse alguém; e eu seria feliz, como uma criança que confia na mão forte do pai, como um filhote que se aninha junto a mãe, certo que daquela teta sempre verteria o leite — dizia esse amigo.

Oras, imediatamente eu me lembrei dos motivos que no passado me seduziram ao comunismo...