COVID-19

“Não existe nível de segurança para a vacinação em adolescentes”, diz médica

Paulo Briguet · 23 de Setembro de 2021 às 09:28

Médica e radialista criticam realização de estudo com vacinação de jovens entre 12 e 17 anos em Toledo (PR)



 

Ao autorizar que estados e municípios vacinem jovens entre 12 e 17 anos, mesmo contra a orientação do Ministério da Saúde, o ministro Ricardo Lewandowski, do STF, abre a possibilidade de que adolescentes brasileiros tenham o mesmo destino de Isabelli Borges Valentim. A adolescente de São Bernardo do Campo, filha única de Cristiane Borges, morreu em 2 de setembro, após sofrer um infarto agudo do miocárdio. Para realizar seu sonho de viajar para a Disney, ela tomou a vacina da Pfizer contra a covid-19 no dia 25 de agosto. Segundo a Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, a morte da adolescente não pode ser atribuída à vacinação.

Não é o que pensa a médica Maria Emilia Gadelha, que acompanhou de perto o caso de Isabelli: “Não existe nível de segurança para a vacinação em adolescentes. O risco de miocardite, entre outras complicações, é elevado”. Segundo a médica, esse risco pode chegar a 1 para 1.000. Para efeito de comparação, um levantamento recente realizado pelo professor John Ioannidis, epidemiologista da Universidade de Stanford, mostra que a chance de morte por covid entre 0 e 19 anos é em média de 0, 0,0027%. “Por que, então, vacinar os adolescentes?”
 


“Não existe nível de segurança para a vacinação em adolescentes. O risco de miocardite, entre outras complicações, é elevado. Por que, então, vaciná-los?”
(Maria Emilia Gadelha, médica)


A mesma pergunta foi feita pela radialista Simone Sponholz, da cidade de Toledo, no Paraná. No dia 24 de agosto, a Prefeitura de Toledo anunciou pela mídia local e nacional que a cidade, por sua “excelência no atendimento à saúde”, seria uma das únicas cidades do Brasil a participar de um estudo da Pfizer para uma cidade cuja população estivesse totalmente vacinada. Mesmo contrariando a orientação do Ministério da Saúde, o município iniciou a imunização dos jovens. “A Prefeitura iniciou a vacinação dos adolescentes sem mostrar nenhuma autorização do Ministério da Saúde para que isso fosse feito”, diz Simone. Ela descobriu também que a Pfizer não é a responsável pelo estudo descrito como “observacional” registrado na Plataforma Brasil (CAAE 50293121.9.0000.5330), mas um médico do Rio Grande do Sul, Regis Goulart Rosa.
 

“A vacinação de adolescentes sem os devidos esclarecimentos é um ato irresponsável. Estudo observacional pode se tornar a observação de uma tragédia.”
(Simone Sponholz, radialista)

Os adolescentes de Toledo, observa a radialista, estão sendo submetidos a um estudo sobre vacinas experimentais sem que seus pais tenham sido devidamente informados sobre isso, o que inclui termo de consentimento informado e esclarecido especial, por envolver menores de idade.

Mais grave, esse estudo pode estar contrariando a Resolução 466 da Conep (Comissão Nacional de Ética em Pesquisa) de 12 de dezembro de 2012, também considerando que o município não traz a público do que efetivamente se trata.

O que podemos afirmar é que a Resolução, em seu item V, diz o seguinte:

“Toda pesquisa com seres humanos envolve risco em tipos e gradações variados. Quanto maiores e mais evidentes os riscos, maiores devem ser os cuidados para minimizá-los e a proteção oferecida pelo Sistema CEP/CONEP aos participantes. Devem ser analisadas possibilidades de danos imediatos ou posteriores, no plano individual ou coletivo. A análise de risco é componente imprescindível à análise ética, dela decorrendo o plano de monitoramento que deve ser oferecido pelo Sistema CEP/CONEP em cada caso específico.

As pesquisas envolvendo seres humanos serão admissíveis quando:

a) o risco se justifique pelo benefício esperado; e

b) no caso de pesquisas experimentais da área da saúde, o benefício seja maior, ou, no mínimo, igual às alternativas já estabelecidas para a prevenção, o diagnóstico e o tratamento”.

A médica Maria Emília Gadelha adverte ainda:

“É preciso lembrar que esses adolescentes não estão recebendo os imunizantes como nós estamos acostumados a entender as vacinas habituais, como produtos seguros. A maioria são produtos de terapia gênica (Pfizer, AstraZeneca e Janssen), com risco de lesões graves, incluindo tromboses, hemorragias e miocardites. Também não podemos esquecer que não se conhecem os efeitos dessas substâncias sobre a fertilidade desses jovens e sobre o risco de mal-formações congênitas nas gerações futuras. Quanto maiores e mais evidentes os riscos de uma pesquisa, maiores devem ser os cuidados para minimizá-los. Podemos estar diante de uma nova talidomida, que fez vítimas sem braços e/ou pernas nas décadas de 1950 e 1960, após ser utilizada sem a devida preocupação com a segurança”.

Entre 26 e 31 de agosto, cerca de 7 mil adolescentes foram vacinados em Toledo. “A vacinação de adolescentes sem os devidos esclarecimentos é um ato irresponsável. Esse estudo observacional pode se tornar a observação de uma tragédia. Quem se responsabilizará pelas eventuais sequelas e óbitos?”, questiona Simone Sponholz.

 


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