RESSURREIÇÃO

Uma Páscoa para contar aos meus filhos

Especial para o BSM · 4 de Abril de 2021 às 14:26

Contarei a eles que ali, em Belo Horizonte, eu vi comungarem todos os dias dezenas de pessoas que temiam mais viver sem Cristo que morrer com covid

Eduardo Levy
Especial para o BSM

 

“Nós ainda somos os ‘primitivos cristãos’. ... Sem dúvida, o mundo exterior pensa o contrário. Pensa que estamos morrendo de velhice. Mas não é a primeira vez que esse pensamento lhe ocorre. Já lhe ocorreu pensar que o cristianismo estava morrendo por causa das perseguições externas, da corrupção interna, da ascensão do islamismo, da ascensão das ciências físicas, do surgimento dos grandes movimentos revolucionários anticristãos. Em cada um desses casos, porém, o mundo se decepcionou. Sua primeira decepção foi a crucificação: o Homem ressuscitou. Em certo sentido – e sei muito bem que isso deve parecer terrivelmente injusto aos olhos do mundo – esse mesmo fato vem se repetindo desde então. O mundo continua matando aquilo que Jesus fundou; e cada vez, quando está alisando a terra por cima da cova, ouve dizer de repente que aquilo ainda está vivo e surgiu de novo em algum outro lugar. Não admira que o mundo nos odeie.”
(C. S. Lewis)

 

Contarei aos meus filhos por muitos anos que na Quaresma de 2021, quando as missas foram proibidas, eu comunguei todos os dias porque tive a graça de viver numa cidade onde havia um padre que estava firmemente determinado a não deixar nenhum fiel sem comungar, ainda que para isso tivesse de criar um drive-through de eucaristia.

Contarei a eles que ali, na capela do Santíssimo da Igreja de São Sebastião, do padre José Cândido, em Belo Horizonte, eu vi comungarem todos os dias dezenas de pessoas que temiam mais viver sem Cristo que morrer com covid. Contarei que ali vi a moça que vinha de Contagem para receber eucaristia, vi o casal de velhinhos amorosos com andar trôpego mas genuflexão digna, vi a mãe que segurava a filha recém-nascida num braço enquanto estendia o outro para receber comunhão, vi os homens de terno e as mulheres de vestido que se ajoelhavam na rua imunda para fazer ação de graças, vi os ministros e ministras que saíam em marcha da igreja para dar comunhão aos fiéis do lado de fora como um exército que parte para uma guerra santa. Contarei, por fim, que ali vi a mim mesmo, que sem o corpo de Nosso Senhor fazendo em mim o que eu não sou capaz de fazer teria mandando a Quaresma para o inferno e ido junto com ela.

Só Deus sabe quantas almas foram salvas e quanto bem foi feito graças à coragem de um único padre que decidiu fazer aquilo que, em suas próprias palavras, foi ordenado para fazer. O que sabemos é que houve um conluio para assassinar Jesus Cristo, e ali, naquela igreja, naquele padre, naqueles fiéis, Ele ressuscitou.

Era certo que o padre Cândido não deixaria ninguém sem comunhão na Páscoa, mas além da distribuição da eucaristia, estavam programadas também, na Igreja de São Sebastião, missas presenciais. Mas faltou combinar com os russos, isto é, os chineses: avisaram à polícia que o crime de realizar uma missa estava prestes a ser cometido. Na primeira Páscoa, a sepultura de Cristo foi vigiada por soldados a serviço de César. As coisas mudaram muito: em 2021, quem vigia o túmulo de Cristo para garantir que ele continue bem morto são funcionários da Gestapo fantasiados de jornalistas a serviço de um Barrabás convencido de que é César. Que façam o pior que podem: nesta Páscoa, como na primeira, Ele ressuscitará verdadeiramente.

Eventos similares estão acontecendo no Brasil inteiro e todos eles terão exatamente o mesmo desfecho. A covid passa, mas a cruz fica. O jornal O tempo passa, mas a cruz fica. Alexandre Kalil passa, mas a cruz fica. Apesar de todos os esforços em contrário, nesta Páscoa Jesus ressuscitará verdadeiramente mais uma vez. Pois a cada segundo Ele é assassinado pela jornalista, pelo prefeito, por você e por mim, mas Ele sempre ressuscita: assim como era no princípio, agora e sempre, por todos os séculos dos séculos.  

Feliz Páscoa,
Eduardo Levy.


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