DRAGÃO VERMELHO

Uma delegacia chinesa no quintal da sua casa

Eduardo Meira · 28 de Outubro de 2022 às 16:31

Regime comunista monta rede de delegacias de polícia em países dos cinco continentes – e está de olho no resultado das eleições brasileiras

 



No dia 26 de outubro deste ano, um jovem cidadão chinês refugiado na Holanda denunciou ameaças de morte e também ameaças à família, que ainda reside na China. O curioso é que tais ameaças foram feitas dentro da própria Holanda, por chineses que trabalham para o Partido Comunista Chinês.

A verdade é que várias ONGs há muito tempo apontam para a existência de delegacias policiais chinesas dentro de países soberanos. Até o momento, dezenas estão catalogadas nos cinco continentes, em países como EUA, Brasil, Alemanha, Holanda, Espanha, África do Sul e tanto outros.

No último dia 27 de outubro, uma “delegacia de polícia” chinesa no centro da cidade de Dublin foi fechada pelo governo irlandês após pressão de um grupo de direitos humanos. A Estação Ultramarina do Serviço de Polícia de Fuzhou foi inaugurada no início deste ano em um prédio de escritórios na Capel Street, que também é sede de outras organizações chinesas.

No caso holandês, de acordo com relatos da mídia local, dois “postos” chineses estão operando em Amsterdã e Roterdã desde 2018, o que vem sendo investigado pelo Ministério das Relações Exteriores em Amsterdam e Rotterdam.

Segundo as autoridades chinesas, as "delegacias" servem para oferecer assistência diplomática a cidadãos chineses, mas não foram registradas no governo holandês. Mas as ONGs estão certas de que as instalações são usadas por Pequim para monitorar e silenciar oponentes políticos e dissidentes no exterior, usando ex-militares e oficiais de inteligência como funcionários.

Em setembro, a organização espanhola de direitos humanos Safeguard Defenders informou que pelo menos 36 “delegacias” chinesas foram instaladas apenas na Europa. A ONG afirmou que as “delegacias” foram usadas para incentivar até 230.000 cidadãos chineses a retornar ao país, na maioria das vezes para enfrentar acusações criminais.

O modus operandi consiste em perseguições, ameaças via Whatsapp, mensagens subliminares, ameaças à família e amigos. Os agentes primeiramente pedem que o refugiado se apresente à embaixada ou consulado para retornar à China e resolver pendências com a justiça. Ante a negativa, o pesadelo começa.

Na última semana, durante o XX congresso do Partido Comunista Chinês – o qual reconduziu Xi Jinping a um terceiro mandato, protestos surgiram em frente a um consulado da China no Reino Unido. Um manifestante foi agarrado por homens não identificados que saíram de dentro do consulado, puxado para dentro do consulado e espancado. Como consulado é considerado território chinês, a polícia local não pode intervir. A vítima integra um grupo pró-democracia chamado Força de Defesa Indígena de Hong Kong, que esteve à frente de uma manifestação organizada em frente ao prédio. O ato simbolizava contrariedade ao 20 Congresso, iniciado no mesmo dia em Beijing.

Um vídeo do incidente que viralizou nas redes sociais mostra um confronto na calçada em frente ao portão de entrada, onde havia cartazes com a mensagem “Deus, destrua o Partido Comunista Chinês”. Em meio à confusão, vê-se um manifestante sendo arrastado para a área interna do consulado, onde é imobilizado e agredido a socos por um grupo de homens.

Em 17 de julho de 2014, no governo Dilma Rousseff, o líder chinês Xi Jinping veio ao Brasil para a cúpula dos BRICS. Um incidente chamou muita atenção e até foi relatado aqui na BSM por esse que aqui vos fala e que esteve lá presente. Em plena Praças dos Três Poderes, um grupo de manifestantes Falun Gong foram intercedidos e agredidos por chineses desconhecidos.

Minha participação em tal fato se deu porque um colega chinês, adepto do Falun Gong (Falun Gong ligou e pediu ajuda. Falun Gong ou Falun Dafa (“Prática da Roda da Lei”, em tradução literal do mandarim) é uma prática espiritual chinesa que combina meditação e exercícios de qigong com uma filosofia moral centrada nos princípios da verdade, compaixão e tolerância – e hoje é a religião mais perseguida da China. Mesmo com a minha presença, os capangas chineses não se intimidaram. Liguei para a polícia, que veio mas não se aproximou do local, alegando que não tinha autoridade. O governador de Brasília, à época, era Agnelo Queiroz, do PT.

As políticas de desrespeito aos direitos humanos e absoluto controle social, amplamente utilizadas pelo Partido Comunista Chinês, estão cada vez mais caindo na graça dos entusiastas marxistas e suas subdivisões, especialmente aqui no Ocidente. No Brasil, o PT é o representante dos sonhos do Partido Comunista Chinês, por sua subserviência e pela sua desvairada paixão por tais políticas. O estilo de vida ocidental, construído com o suor e sangue dos cristãos, está cada vez mais preso às garras de ouro do Dragão e, preocupantemente, o Brasil é o grande troféu.

 – Eduardo Meira é empresário, professor e poliglota, morou 4 anos na China e fala fluentemente português (nativo), chinês, inglês e espanhol, além de se comunicar em russo e francês para assuntos do dia a dia, e de arriscar diálogos em árabe.

 


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