CORONAVÍRUS

Uma assinatura para salvar vidas humanas

Paulo Briguet · 16 de Outubro de 2020 às 11:31

Ambulatório de Tratamento Precoce de Londrina depende da assinatura do prefeito para obter medicamentos eficazes contra a Covid-19

Iniciativa pioneira no Brasil, o Ambulatório para Tratamento Precoce de Covid-19 começou a funcionar no dia 23 de setembro, em Londrina (PR). Criado por um grupo de médicos paranaenses (que atuam como voluntários), o ambulatório é fruto de uma parceria com a UniFil, instituição de ensino superior local. Em menos de um mês de funcionamento, a unidade contabilizou, até o momento, os seguintes resultados:

248 pacientes atendidos presencialmente, com hipótese diagnóstica ou diagnóstico confirmado de Covid-19, posteriormente seguidos por telemedicina e acompanhados nos retornos ao ambulatório quando necessário. (Pacientes sem hipótese diagnóstica de Covid não foram contabilizados.)

Pacientes até 40 anos: 95

41 a 49 anos: 68

50 a 59 anos: 38

Acima de 60 anos: 47 (19%)

Paciente de maior idade: 93 anos (já recebeu alta)

Total de pacientes internados: 4 (2,5% do total)

Internados atualmente: 3 (2 em enfermaria e 1 em UTI (não intubado).

Pacientes intubados: 0

Pacientes com desfecho de óbito: 0

159 pacientes de ALTA

Sem a mínima dúvida, trata-se de uma iniciativa bem-sucedida. Coincidência ou não, durante o período caiu drasticamente o número de infectados e internados por Covid-19.

 

Atendimento no Ambulatório de Tratamento Precoce em Londrina

 

A carta ao Ministério da Saúde

No dia 23 de setembro, os médicos responsáveis pelo Ambulatório de Tratamento Precoce elaboraram uma carta endereçada ao secretário nacional de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Dr. Hélio Angotti Neto, com a solicitação de envio dos medicamentos utilizados no tratamento precoce: cloroquina ou sulfato de hidroxicloroquina, azitromicina, zinco, ivermectina e vitamina D. O documento especifica que esses medicamentos serão doados preferencialmente aos pacientes de baixa renda. As quantidades solicitadas ao Ministério da Saúde foram as seguintes:

 

MEDICAÇÃO

ADULTO/PRESCRIÇÃO

NECESSIDADE

CLOROQUINA

12 comprimidos

12000 comprimidos

AZITROMICINA

05 comprimidos

 5000 comprimidos

ZINCO QUELADO 60MG

10 comprimidos

 

10000 comprimidos

IVERMECTINA

12 comprimidos

12000 comprimidos

SULFATO DE HIDROXICLOROQUINA

06 comprimidos

  6000 comprimidos

 

É importante ressaltar que o Ambulatório faz apenas atendimentos gratuitos. Desde o dia 23, a unidade vem fornecendo aos pacientes medicamentos obtidos graças a doações particulares. No entanto, a quantidade de doações é insuficiente para dar conta de toda a demanda.

Ao tomar conhecimento da situação, o secretário Hélio Angotti informou aos mantenedores do Ambulatório que todos os medicamentos se encontram disponíveis nos estoques do Ministério da Saúde. Para que os remédios sejam enviados, basta apenas a assinatura de uma autoridade municipal ― no caso, o prefeito de Londrina, Marcelo Belinati.

Os médicos do Ambulatório procuraram, então, o prefeito. Mas, desde o dia 23, ele vem protelando a assinatura do documento, argumentando que a Prefeitura de Londrina já dispõe de todos os medicamentos necessários.

Em live transmitida pelo Facebook, o prefeito afirmou:

“Desde o início da pandemia, a Prefeitura de Londrina fornece todas as medicações. Nós compramos todas as medicações. Apenas tem que seguir a exigência do Ministério da Saúde, que exige a receita do médico. Precisa ser a receita do posto de saúde? Não, pode ser a receita do médico do ambulatório da Unifil ou do médico particular. Basta ir a um dos seis postos de saúde Covid: Ouro Branco, Guanabara, Chefe Newton, Maria Cecília, Vila Ricardo e Jardim Bandeirantes. A Prefeitura fornece para quem precisar. Se o ambulatório da Unifil fornecer a receita, a pessoa pode ir a uma das seis unidades Covid da Prefeitura e pegar a medicação”.

Infelizmente, isso não se confirmou na realidade. Diversos pacientes se dirigiram às unidades de saúde e não encontraram todos os medicamentos necessários. Entre as pessoas que estiveram nas unidades de saúde e não encontraram os medicamentos, estão Antônio Aparecido da Silva, Rosângela Cebulski e Margareth Mendes ― todos apoiadores do Ambulatório de Atendimento Precoce.

Na terça-feira, uma cidadã que se identificou como Alessandra esteve na Unidade de Saúde do Jardim Guanabara (uma das citadas pelo prefeito) com a receita médica, mas não encontrou hidroxicloroquina, nem zinco, nem vitamina D. Confira no áudio (a partir de 33s) e no vídeo (a partir de 30s):

Como se percebe, é possível que o prefeito não esteja recebendo as informações corretas de seus assessores. Portanto, o Brasil Sem Medo faz um apelo ao prefeito para que assine o documento para envio dos remédios. Uma simples assinatura poderá salvar muitas vidas humanas.



 


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