ESTADOS UNIDOS

Um “supremacista branco” chamado Ahmad Alissa

Otávio Pedriali · 24 de Março de 2021 às 15:26

Mídia esquerdista muda narrativa após descobrir que assassino de 10 pessoas no Colorado é um muçulmano

Na segunda-feira (22), dez pessoas foram assassinadas em um supermercado na cidade de Boulder, Colorado. Entre as vítimas, nove civis e um policial veterano. O atirador foi identificado como Ahmad Al Aliwi Alissa, de 21 anos, residente em Arvada, cidade próxima a Boulder, e natural da Síria. Após a descoberta da origem do assassino, a narrativa da esquerda mudou rapidamente: antes culpavam o supremacismo branco, e passaram a jogar a culpa nas armas.

Alissa atirou em direção aos primeiros policiais que chegaram ao local, mas se rendeu com a chegada dos reforços. Ele foi levado à prisão com um ferimento na perna. O assassino responderá por dez homicídios de primeiro grau, caso em que o assassino age com a intenção de matar. No estado do Colorado, é um crime penalizado com prisão perpétua, sem possibilidade de prisão condicional.

No momento, a principal preocupação das autoridades policiais é descobrir o motivo do ataque, que ainda é desconhecido. Ahmad deve comparecer ao tribunal ainda essa semana.

Algumas horas depois do massacre, finalmente mais informações do assassino começaram a ser divulgadas. De origem Síria, Ahmad Alissa tinha 21 anos e um histórico de comportamento destemperado, explosivo.

Alissa tinha uma página no Facebook em que criticava Donald Trump, reclamava de islamofobia e se queixava por não ter uma namorada. Poucas horas após a revelação de sua identidade, o Facebook retirou a página do ar.

O teor das postagens pouco repercutiu na cobertura midiática sobre o caso, evidentemente. Fosse um apoiador de Trump, cristão e conservador, não é exagero supor que todas as manchetes fariam questão de estampar as preferências políticas e religiosas do criminoso. Nada de novo debaixo do sol.

Em entrevista ao Denver Post, antigos colegas de Ahmad relatam que o muçulmano possuía comportamento explosivo, paranoico e violento. Um de seus ex-colegas de wrestling, Dayton Marvel, relata que era assustador ficar perto de Ahmad.

“No último ano, durante os combates, ele realmente perdeu sua luta e saiu da equipe e gritou na sala de luta que ele iria matar todo mundo.”

Outra testemunha relatou que Ahmad atacou um colega de classe em 2017, quando tinha 18 anos, após sofrer ofensas raciais. A testemunha relata que Ahmad desferiu inúmeros socos no colega, vários deles na cabeça.

Outros conhecidos descrevem Ahmad como paranoico e explosivo.

Documentos da polícia registram que o muçulmano comprou uma arma no dia 16 de março, seis dias antes do ataque. No dia do massacre, ele portava um fuzil e uma pistola.

O chefe da polícia de Boulder, Maris Herold, alegou que desconhecia Ahmad. Por outro lado, a identidade do assassino já era conhecida pelo FBI por suas relações com outra pessoa investigada pela agência. Contudo, ainda não se sabe quem é o investigado pelo FBI que possuía ligações com o sírio.

A notícia de que o FBI já conhecia Ahmad, mas foi incapaz de impedir o massacre, revoltou vários conservadores americanos, que notam o fato de que o FBI já havia sido alertado sobre os autores de vários outros massacres, todavia sem ter sido capaz de impedi-los.

Enquanto permite que terroristas que já estavam sob seu radar cometam massacres, o FBI encontra-se empenhado em uma cruzada contra o supremacismo branco. A agência está colaborando com o Departamento de Segurança Interna para monitorar todos os participantes dos protestos do dia 6 de janeiro, inclusive aqueles que não se envolveram na invasão ao capitólio, tratando a todos como terroristas domésticos e supremacistas brancos. O Departamento de Segurança Interna já cogita proibir os “terroristas domésticos” de viajar de avião.

Para variar, a esquerda mais uma vez tenta politizar um massacre. Desta vez, observou-se uma curiosa mudança de narrativa. Tão logo saiu a notícia do massacre, vários influenciadores, jornalistas e celebridades apressaram-se em culpar o “supremacismo branco”. O espírito das análises apressadas é bem exemplificado pelo tweet de Meena Harris, sobrinha de Kamala Harris, que apagou o tweet tão logo revelou-se que o assassino era um muçulmano.

 

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“O tiroteio de Atlanta foi há menos de uma semana. Homens brancos violentos são a maior ameaça terrorista ao nosso país.”

Assim que a identidade síria do assassino foi divulgada, a narrativa da esquerda mudou como que num passe de mágica. De uma hora para outra, a culpa do massacre deixou de ser o homem branco e passou a ser o direito às armas.

Não é preciso exemplificar o fato com o registro de baboseiras proferidas por celebridades, escritores e jornalistas democratas. O próprio Joe Biden incitou o ataque ao direito constitucional dos americanos de ter armas.

Pouco tempo depois do massacre, Biden afirmou que ainda não conhecia os detalhes do caso, mas isso não o impediu de culpar o fácil acesso às armas.

“Quero ser bem claro. Esta é a única coisa que eu sei o suficiente para dizer em termos do que aconteceu lá. Enquanto ainda estamos esperando por mais informações sobre o atirador, seu motivo, as armas que ele usou, as armas, as revistas, as modificações que aparentemente aconteceram com as armas envolvidas aqui, eu não preciso esperar mais um minuto, muito menos uma hora, para tomar medidas de bom senso para salvar vidas no futuro e pedir aos meus colegas na Câmara e no Senado que ajam. Podemos proibir armas de assalto e revistas de alta capacidade neste país mais uma vez. Fiz isso quando era senador. Passou, foi a lei por muito tempo... devemos fazer isso de novo.”

Ou seja, todos os americanos devem sofrer restrições em seu direito constitucional de possuir e portar armas porque um muçulmano nascido na Síria cometeu um crime terrível. O fato de que as cidades mais violentas dos Estados Unidos sejam governadas há muitos anos por democratas e tenham fortes restrições ao armamento civil não parece incomodar a narrativa.

Se o atirador é branco, a culpa é dos brancos. Se ele é muçulmano, a culpa é das armas. De uma maneira ou de outra, o que importa é politizar as tragédias e fazer avançar a narrativa esquerdista.


Armas no Colorado

O estado do Colorado permite a posse e o porte de armas, inclusive de rifles. Em 2018, a cidade de Boulder baniu a venda de rifles de assalto na cidade. Dez dias antes do massacre, essa restrição foi revogada pela corte estadual, que considera que as cidades do Colorado não tem competência para legislar sobre restrições ao armamento quando já há uma lei estadual sobre a matéria. 

Contudo não se sabe ainda se a arma usada pelo sírio no massacre foi a mesma comprada no dia 16. Aliás, a demora para liberar essa informação é suspeita. 

Enquanto a esquerda enfatiza o fato de que dez dias antes do atentado a restrição de Boulder aos rifles de assalto foi retirada, não noticiam que a Assembléia do Colorado não coloca em votação os projetos das associações pró-armas do estado. 
Porém o Colorado tem uma lei de "Red Flag", que permite o confisco das armas de pessoas acusadas e julgadas perigosas. Para que a restrição entre em vigor, é preciso que um familiar, amigo ou oficial peça para que a corte restrinja durante um ano o acesso de alguém a armas de fogo.  Para que a corte aceite o pedido, é necessário que haja evidências preponderantes de que o acusado represente risco significativo aos outros ou à própria vida. 

Ninguém pediu à corte do Colorado que Ahmed tivesse o acesso às armas restringido, mesmo após várias demonstrações de um comportamento raivoso e imprevisível.

https://www.denverpost.com/2021/03/23/boulder-shooting-suspect-ahmad-al-aliwi-alissa/

https://www.foxnews.com/us/colorado-mass-shooting-suspect-known-to-fbi

https://www.politico.com/news/2021/03/23/homeland-security-domestic-extremists-477658

https://theconservativetreehouse.com/2021/03/23/here-we-go-fbi-knew-boulder-colorado-suspect-identity-prior-to-shooting/


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