FARSA COMPROVADA

The Lancet se retrata por publicação sobre cloroquina

Fábio Gonçalves · 4 de Junho de 2020 às 18:38

Pesquisadores que decretaram a ineficácia da hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19 admitem que o trabalho não é confiável

No último dia 30 publicamos no BSM o artigo A grande farsa contra a cloroquina. No texto, coletamos as críticas de grandes cientistas do Brasil e do mundo a um estudo publicado na revista The Lancet, assinado pelo professor de Harvard, Dr. Mehra, segundo o qual em nenhum lugar do planeta se constatara a eficácia da cloroquina e hidroxicloroquina, usadas isoladamente ou em associação a macrolídeos, para debelar os sintomas da Covid-19. Pelo contrário, o paper assegurava que, na maioria dos quase 15 mil casos observados, os antimaláricos só fizeram mal — diminuíram o número de altas hospitalares e causaram problemas cardíacos.

O resultado, catastrófico para quem apostava na cloroquina, embasou a decisão da OMS de interromper todos os testes com o fármaco que estavam sob a sua incumbência. Como sugerimos no artigo, era o crepúsculo do quinino.

Entretanto, como bem apontou o Dr. Marcos Eberlin, na esteira do Dr. Didier Rauolt, entre outros, a metodologia da pesquisa de Mehra era completamente inadequada para aferir o que pretendia e, por consequência, seus resultados eram inócuos, inválidos para tomar qualquer decisão sobre o tratamento com as drogas analisadas. A questão parecia ser política, uma tentativa de descredibilizar os remédios por interesses escusos.

Pois hoje, 4 de junho, a The Lancet publicou a seguinte nota:

Hoje, três dos autores do paper “Hidroxicloroquina ou cloroquina, associadas ou não com um macrolídeos para o tratamento da COVID-19: análise do registro de vários países”, se retrataram pelo estudo. Eles foram incapazes de completar uma auditoria independente de dados subjacentes às suas análises. Como resultado, concluíram “não podemos mais garantir a veracidade das fontes primárias”.

Essa polêmica com as fontes da pesquisa do Dr. Mehra veio à público com uma reportagem do jornal britânico The Guardian em que autoridades australianas contestavam o número de mortos por coronavírus assinaladas no documento.

Depois disso, descobriu-se que a fonte do estudo era um banco de dados, a Surgisphere, cujo dono era um dos quatro pesquisadores, o Dr. Sapan Desai, que nem consta no Google Scholar.

Como já sabia da pendenga, a OMS avisou que vai retomar os testes com a cloroquina.

Vitória da ciência contra a ideologia.

 


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