POLÍTICA INTERNACIONAL

Taiwan, a China que deu certo

Paulo Briguet · 22 de Maio de 2020 às 10:13

Entenda por que a China comunista se incomoda tanto com o seu pequeno vizinho insular

Na última quarta-feira (20), enquanto a presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, tomava posse para o seu segundo mandato, os 513 deputados federais brasileiros recebiam por e-mail uma singela cartinha, enviada pela Embaixada da China, na qual se lhes recomendava, em linguagem diplomática, que ficassem de bico calado e se abstivessem de enviar qualquer tipo de congratulação à mandatária taiwanesa. 

A obsessão da China por Taiwan, ilha do Extremo Oriente a quem os portugueses chamavam de Formosa, por suas belezas naturais, não é de hoje; na verdade, data de 1949, quando os comunistas liderados por Mao Tse-tung (1893-1976), o maior genocida de todos os tempos, tomaram o poder na China continental e obrigaram os nacionalistas liderados por Chiang Kai-shek (1887-1975) a se refugiarem na ilha vizinha. Há 71 anos, os seguidores de Mao e os seguidores de Chiang travam uma disputa até hoje irresolvida. A República Popular da China, país mais populoso do mundo (1,4 bilhão de habitantes) e terceiro em extensão territorial (9,6 milhões de km²), considera sua irmã menor, com população de 23 milhões de almas e o menor que a nossa ilha de Marajó (36,1 km²), como uma “província rebelde”. Desde 1971, quando Nixon e Kissinger entraram em negociação com Mao, a ONU passou a reconhecer entre os seus países-membros apenas a China maior, relegando a pequena China a um status parecido com o que os astrônomos resolveram dar alguns atrás ao antigo planeta Plutão. Apenas 17 países da comunidade internacional (entre os quais a Santa Sé) reconhecem Taiwan como país independente. O Brasil não est...