1º TURNO NA FRANÇA

Sombra de Putin paira sobre eleições francesas

Brás Oscar · 6 de Abril de 2022 às 19:55

Le Pen empata tecnicamente no 2º turno com Macron. As ligações da candidata com Putin foram abafadas ao longo da campanha 

Desde a ascensão midiática de Éric Zemmour, pintado como a nova liderança da extrema-direita pela mídia, Marine Le Pen deixou de ser vista por muitos franceses como a detentora  deste posto.

É certo que ela tem suavizado seu discurso, tentando se posicionar como uma candidata de centro-direita, aproveitando o alargamento da janela do discurso com a presença de Zemmour no páreo.

Há pesquisas já apontando Macron e Marine Le Pen empatados tecnicamente num muito provável segundo turno. A possibilidade de Jean-Luc Mélenchon, da extrema-esquerda, avançar ao ponto de eliminar Le Pen para uma vaga no segundo turno ainda é acalentada por boa parte dos jornalistas europeus, mas é algo pouco provável quando vemos os números das últimas pesquisas. Ocorre que tanto lá como cá, boa parte do jornalismo político não passa de torcida e militância, e Mélenchon é o típico candidato da extrema-esquerda-caviar que só agrada jornalistas e acadêmicos.

É preciso, porém, levar em conta que se prevê a taxa de abstenção mais alta das últimas décadas para estas eleições na França, o que significa que, apesar das mudanças de paradigma quanto a esquerda e direita na política eleitoral atual, não há de fato uma mudança que empolga multidões.

Numa pesquisa eleitoral feita pela Harris Interactive-Toluna divulgada nesta segunda (4), Marine Le Pen teria 48,5% das intenções de votos, contra 51,5% de Macron. Na prática, o candidato à reeleição está à frente apenas dentro da margem de erro.

A mesma pesquisa, para o primeiro turno, mostra 26,5% das intenções de voto para Macron, Le Pen com 23%, Jean-Luc Mélenchon (extrema-esquerda) com 17%, Éric Zemmour e Valérie Pécresse empatados, com 9,5% cada um.

Há porém, uma sombra que paira sobre estas eleições: Vladimir Putin. Não apenas na França, mas em boa parte da Europa, existe uma direita que vê em Putin um modelo ideológico contra o declínio das democracias liberais; uma espécie de versão direitista das políticas de pautas identitárias.

Entre os que possuem uma relação pública e próxima com Putin está Le Pen, que já sinalizou em outros encontros com o Czar Vermelho que vê numa aliança com a Rússia a possibilidade de criar um mundo com líderes fortes. Mas, durante a campanha eleitoral houve um certo esforço da candidata em distanciar-se do líder russo e em ocultar suas declarações anteriores que expressavam admiração pelas ideias duguinistas.

Segundo a agência Reuters, Macron, que tem se empenhado em tentar mediar a crise na Ucrânia, entrou tarde na campanha e se concentrou em reformas econômicas impopulares, incluindo o aumento da idade de aposentadoria.

O primeiro turno da eleição presidencial francesa será neste domingo (10), e o provável segundo turno no dia 24 de abril.

Hoje, às 20 horas, no Brave News, este assunto fará parte das pautas analisadas, assim como a vitória de Viktor Orbán na Hungria.

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