Sleeping Giants: a esquerda quer calar seus inimigos

Fábio Gonçalves · 22 de Maio de 2020 às 09:35

Os progressistas encontraram um modo prudente e sofisticado de censurar as vozes conservadoras: chantagear empresas que os financiam.

A última década foi marcada por um fenômeno muito desagradável para os progressistas: a democratização do debate público.

O debate público jamais foi tão aberto, fértil, pujante quanto na última década. Nem na Atenas de Péricles, nem na América de Jefferson, nem nos cantões suíços. Jamais. Isto porque, dentre outras coisas, não havia meios materiais para que muitas vozes, dos paupérrimos aos magnatas, dos ignotos aos versados, estivessem no mesmo ambiente, cada um com seu ponto de vista, palestrando sobre um evento político, sobre os rumos econômicos, conjeturando questões de guerra.

Este meio material, não há dúvidas, é a rede social.

Em retrospectiva histórica, o advento das redes sociais está para as possibilidades de interações humanas como o motor de James Watt está para a industrialização. É um divisor de águas, evento da maior envergadura, nossa descoberta do fogo.

Até pouco tempo, o mecanismo básico de troca de informações em larga escala centrava-se na produção massiva de conteúdos pelos grandes conglomerados de mídia destinados a um público cada vez maior, dada a urbanização, que os consumia de maneira mais ou menos passiva.

A internet implodiu esse maquinário obsoleto e oxidado.

Se pensarmos só no campo do jornalismo, o que antes eram os vinte ou trinta veículos tradicionais, se transformou nos milhares de blogs, de sites independentes, de perfis formadores de opinião do Facebook, do Twitter, do YouTube, do Instagram, cada qual com sua abordagem, com gente representativa desde a extrema-esquerda maoísta à extrema-direita nazista, passando por uma plêiade de posições intermediárias que nem a mais refinada ciência política já havia catalogado. 

Demais, abriram-se canais para que o professor universitário acostumado com as tertúlias chiques se deparasse com a crítica de um porteiro de prédio ou um gari de praça, e para que o jornalista tarimbado, símbolo da honestidade, ouvisse as descomposturas da dona de casa aposentada que...