DRAGÃO VERMELHO

Será o fim do Partido Comunista Chinês?

Eduardo Meira · 2 de Dezembro de 2022 às 16:17

Nas maiores manifestações desde o Massacre da Praça Celestial, milhares de chineses colocam suas vidas em risco ao pedir a renúncia de Xi Jinping. Nosso especialista em China, Eduardo Meira, explica o que está acontecendo
 

Os protestos na China são o assunto geopolítico do momento. As políticas de “zero covid” do Partido Comunista Chinês foram e continuam sendo atentados absurdos aos direitos humanos, e a reação popular é inexorável. Mídias e entusiastas de ditaturas comunistas aqui do Ocidente relativizam e até romantizam as horrendas cenas vindas da China, como um vídeo que viralizou nas redes sociais, com a lamentável cena da polícia sanitária chinesa imobilizando uma senhora idosa para fazer teste de covid anal em público e outros vídeos mostrando pessoas se jogando de prédios em chamas – porque suas portas estavam seladas, aparafusadas por fora. O que está, de fato, acontecendo naquele país? Seria esta onda de protestos um gatilho político para derrubar o governo, assim como no Brasil em 2013 com o “Não é pelos 20 centavos”?

A primeira onda de protestos violentos que chegou ao alcance da mídia ocidental veio da maior fábrica de iphones do mundo, a Foxconn, na China central. Principais motivos do protesto: o tratamento à população dispensado pelos agentes de saúde (eufemismo sádico para polícia ditatorial sanitária), as péssimas condições dos “dormitórios” (verdadeiras prisões para os doentes ou suspeitos de estar com a doença) e a perseguição implacável das autoridades. Após este evento, vários outros vídeos e denúncias começaram a vir de várias partes da China, também mostrando ou relatando protestos violentos, embates com as autoridades, prisões e pessoas feridas.