INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

Sentimentos humanos não se aplicam a sistemas operacionais

Juliana Gurgel · 21 de Abril de 2021 às 15:27

Para a Bia, tudo; para os usuários humanos, ataques e acusações. É um sintoma de alienação mental acreditar que uma inteligência artificial sofra assédio

Em 2013, o filme Ela (Her) escrito, produzido e dirigido por Spike Jonze, ganhou o Oscar de melhor roteiro. Em Her, o protagonista Theodore Twombly, interpretado por Joaquin Phoenix, se envolve com o personagem de Scarlett Johansson, Samantha. Sam é inteligente, sexy, divertida, bem-humorada e compreensiva. Porém, Samantha não é uma mulher. Samantha é um Sistema Operacional de Inteligência Artificial, o OS1.

Theodore é um homem comum. Divorciado, trabalha com criação de cartões comemorativos e seu entretenimento é jogar videogame. Após a separação, Theo sente-se sozinho e sem perspectiva. É nesta condição que decide adquirir o novo sistema OS1, que tem como divulgação e marketing questões inerentes à condição humana: “Quem você é? O que você pode ser? Que possibilidades existem? O que há lá fora?”. Theodore adquire o produto como solução para preencher este vazio e assim, conhece e se apaixona pela inteligência artificial Samantha.

O filme, de forma habilidosa, nos induz a acreditar que Sam possui sentimentos e que alcançará a consciência. A história nos faz querer que seja verdade. Somos envolvidos pelos atores. A voz suave de Scarlett Johansson e o desalento e inadequação de Joaquin Phoenix nos seduzem a ponto de aceitarmos ser possível um relacionamento amoroso entre uma inteligência artificial que reproduz e simula sentimentos e uma pessoa, um ser humano, com alma, corpo e espírito...