OPINIÃO

Segundo turno: O Brasil entre a realidade e a autoilusão

Braulia Ribeiro · 4 de Outubro de 2022 às 10:00

Por que não estou otimista com o segundo turno das eleições presidenciais brasileiras

Acordamos nesta segunda-feira em um Brasil muito pior do que o de domingo. Pensei em não escrever, pensei em parar de tentar contribuir com o diálogo nacional, pensei em sair da academia para fazer um curso de gastronomia, pensei em fingir que minha terra natal, o país que amo, e que está prestes a mergulhar em 100 anos de solidão, não existe mais. Mas um amigo me disse com sinceridade que também se sentia assim, mas que se obrigava a ter esperança por causa de seus filhos pequenos.

Mas qual é a atitude mais aceitável olhando para as crianças? Acredito que não é me iludir no otimismo, ou encontrar esperança em um sinalzinho de lucidez que identifico aqui e ali. Só ajudo as crianças se me permito a indignação e a ira. É pensando nas crianças que quero abandonar o diálogo civilizado e partir para o xingamento. Voegelin em sua autobiografia (pensei que eu iria conseguir escrever esse texto sem citar Voegelin, mas não deu) faz uma observação sobre a diferença entre os alunos universitários da Alemanha pós-guerra, quando ele lecionava na Universidade de Berlim, e os alunos americanos que ele teve a oportunidade de ensinar, em Massachussets, Alabama, Louisiana, Illinois. Ele diz:

“O aluno médio não tinha o mesmo conhecimento básico que eu podia esperar dos alunos europeus, mas ao invés disso eles tinham algo que faltava aos alunos europeus, principalmente aos alemães: uma noção bem construída do senso-comum”.