DESTRUIÇÃO DA JUVENTUDE

Rede Globo e a cultura funk: a pedagogia do crime

Fábio Gonçalves · 12 de Janeiro de 2020 às 11:39
Escritor nascido e criado na favela explica os terríveis efeitos da apologia de sexo, drogas e crime promovida pela grande emissora

Quem quer que já tenha frequentado um baile funk – como eu, confesso, já frequentei – sabe que aquilo é quase essencialmente uma boca de fumo. Além, óbvio, de ser um bacanal. De acordo com a ética própria desse tipo de evento, é até imoral ficar são, limpo, sem drogas. O jovem vai para lá tanto para arrumar sexo fácil – nada raro ali mesmo, no meio da pista de dança – quanto para usar os entorpecentes que se lhe oferecem aos borbotões, de todos os tipos e procedências, dos leves aos sintéticos, dos inaláveis aos injetáveis, tudo livre, longe dos pais, da sociedade, de Deus.

Como Fernando Haddad confessa em seu livro, vale desconstruir a família, promover a gandaia sexual, transformar movimentos criminosos em símbolos da luta política, como o MST, as FARC etc. Ou: vale transmitir, bem cedinho, a genecologia e os coros perversos de Anittas e Ludmillas, vale dar palanque ao DJ Rennan, vale investir em atrações como o Esquenta e Amor e Sexo, vale apoiar o PT ou algo que o valha, como o PSOL, partido da turma blasfema do Porta dos Fundos.