DIÁRIO DE UM CRONISTA

Paulo Bilynskyj, o soldado desarmado

Paulo Briguet · 1 de Agosto de 2022 às 16:56

Por defender “luta contra a esquerda”, delegado é cancelado pela mídia. Quase ninguém sabe que a luta da família Bilynskyj começou há 90 anos, na Ucrânia  



No final dos anos 30, o ucraniano Dzherom (Jerônimo) Bilynskyj, um cristão católico que havia lutado contra a dominação da Ucrânia pelos bolcheviques, foi condenado a dez anos de trabalhos forçados na Sibéria. Jerônimo seria um dos milhões de vítimas que pereceram no sistema de campos de concentração criado pelos comunistas, o Gulag. Alistado à força no Exército Vermelho, Bordan, o filho mais velho de Jerônimo, preferiu deixar o país a servir ao regime que matou seu pai. O jovem ucraniano, nascido em 1920, acabaria imigrando para o Brasil após o final da guerra.

Bordan trazia no coração um sentimento de gratidão pelo país que o acolheu. De início, não queria ter filhos, por medo da Terceira Guerra Mundial; mas acabou tendo três, graças à influência da esposa. Em casa e na comunidade, o imigrante ucraniano jamais deixou de denunciar os crimes do comunismo, que tanto sofrimento causou à sua família. No Brasil, Bordan participou do movimento monarquista e chefiou uma associação em defesa dos povos subjugados pelo comunismo. Não era para menos: ele guardava na memória os horrores do Holodomor, a grande fome provocada por Stálin e seus asseclas em 1933-34, que levou à morte 3,9 milhões de ucranianos. Ele sabia que, antes de subjugar o povo ucraniano e confiscar toda a produção agrícola do país, os comunistas russos fizeram o que sempre fazem os tiranos: desarmaram a população.

O delegado e instrutor de tiro Paulo Bilynskyj é bisneto de Jerônimo e neto de Bordan. Noventa anos depois do Holodomor, ele luta pelos mesmos ideais de liberdade que os homens de sua família defenderam na Ucrânia dominada pelos comunistas. Na última semana, ele foi surpreendido com uma ordem do delegado-chefe da Polícia Civil de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, para que devolvesse sua arma, seu distintivo e sua carteira funcional ao Estado.

O “crime” de Paulo Bilynskyj é convocar a população para as manifestações de 7 de setembro em apoio ao Presidente Jair Bolsonaro. Os esquerdistas falam o tempo todo em derrubar, destruir e até mesmo matar Bolsonaro e seus apoiadores, mas qualquer pessoa associada à direita conservadora não pode sequer falar em luta contra aqueles que abertamente prometem censurar as redes sociais, prender adversários por opinião, desarmar a população, legalizar o aborto, destruir as contas públicas e apoiar regimes ditatoriais. É a velha máxima de Herbert Marcuse transformada em lei suprema: “Toda tolerância com a esquerda, nenhuma tolerância com a direita”.

Qualquer pessoa que tenha dois neurônios ativos é capaz de perceber que Paulo Bilynskyj sempre utilizou fotos com armamentos em suas redes sociais, até porque, santa paciência, ele é instrutor de tiro tático e esportivo. Mas a esquerda – que atualmente domina o Governo do Estado de São Paulo – precisa desesperadamente emplacar a narrativa de que os conservadores são violentos e perigosos, sendo que, em todas as manifestações de direita nos últimos anos, jamais foi registrado um incidente digno de nota, nem mesmo uma janela quebrada ou um empurra-empurra. São manifestações pacíficas e ordeiras, com ampla participação de famílias.

“Mas é justamente do poder das famílias que a esquerda mais tem medo”, diz Paulo Bilynskyj. “A partir do momento em que eu me posicionei a favor das famílias e das pessoas de bem, fui atacado novamente. Fui atacado pela mesma mídia que me acusou quando levei seis tiros, a mesma mídia que nunca fez uma retratação depois que o caso em que fui vítima foi arquivado por razões óbvias”.

Agora, Paulo Bilynskyj está como seu bisavô e seu avô na Ucrânia comunista: é um soldado desarmado. Mesmo recebendo ameaças todos os dias, ele não pode defender a si mesmo nem à sua família. “Uma coisa eles não podem tirar de mim: a minha vontade de lutar e seguir em frente”.

Paulo Briguet é escritor e editor-chefe do BSM.

 


"Por apenas R$ 29/mês você acessa o conteúdo exclusivo do Brasil Sem Medo e financia o jornalismo sério, independente e alinhado com os seus valores. Torne-se membro assinante agora mesmo!"