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Otávio Fakhoury assume oficialmente presidência do PTB em São Paulo

Redação BSM · 27 de Julho de 2021 às 15:05

O BSM falou com o empresário e com Roberto Jefferson sobre o significado político da mudança no partido que vem se consagrando como abrigo político de conservadores

Nesta terça-feira (27), o empresário Otávio Fakhoury tomou posse na presidência do diretório estadual do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) de São Paulo. Com isso, o partido de Roberto Jefferson dá mais um passo na direção de se tornar um caminho para a direita política para as próximas eleições. Deputados presentes comentaram a importância do fato para a política nacional e o presidente do partido, Roberto Jefferson, deixou claro o apoio incondicional do PTB a Bolsonaro, apesar de o presidente ir para outro partido.

Jefferson conta ter convidado Fakhoury pela histórica amizade que teve com o seu pai. "O pai do Otávio foi um dos maiores amigos que eu tive. Um dos amigos mais presentes da minha vida toda", conta.

"Eu vi o Otávio, jovem ainda, indo para a América trabalhar no mercado financeiro e acompanhei muito de perto o pai e a mãe dele".

"Eu disse ao Otávio: Otávio, teu pai era meu irmão, você é meu sobrinho. Você é como uma pessoa de casa. Você tem que assumir o comando do PTB aqui, um partido conservador, um partido cristão, e você tem que assumir o comando do partido aqui", conta Jefferson.

A posse de Fakhoury no comando do PTB simboliza uma atitude da direita política que cansou de esperar por sinais de Bolsonaro. Fakhoury é um nome proximo dos conservadores e pode ter a função de reduzir a suspeita sobre a ortodoxia do PTB e do apoio às causas da direita. Apesar da suspeita, Jefferson diz que não se preocupa com isso e afirma "suspeitar dos desconfiados".

Apesar dos sinais de Bolsonaro na direção do "centrão" e do PP, Jefferson reafirma que o partido dará todo o apoio ao presidente nas eleições. A nomeação de Fakhoury tem esse viés: o de um simbolo de adesão às pautas conservadoras que elegeram Bolsonaro, mesmo quando o próprio presidente não parece sinalizar apoio a elas. A ideia é arregimentar novos nomes conservadores para o partido, que pretende ser o abrigo conservador na política.

Fakhoury disse que Jefferson o conhece e o chamou para fazer as coisas da mesma forma como sempre tem feito em suas atuações no campo político, isto é, para o empresário, a política é filantropia e não um comércio.

"Não estou aqui - e ele sabe disso, senão não me chamaria - para fazer 'toma lá dá cá', para fazer partido da forma comercial. Eu trato este trabalho como um trabalho filantrópico", disse o empresário.

"Muita gente desconfia dele por conta do passado e tal, mas ele é o único que tá fazendo mais do que palavras. No partido, lá em Brasília, está atuando nos conselhos de ética contra a esquerda, abrindo ações, indo na PGR, indo no Supremo, combatendo inclusive alguns ministros da Corte Interamericana de Direitos Humanos. É o único que está fazendo isso", explicou.

"Se a gente hoje não consegue abrir um partido do zero, por que a gente sabe que não vão deixar, o espaço que temos é onde abrem a porta para nós", explicou.

Fakhoury explica que, em São Paulo, terá espaço no partido para abrir diretórios municipais e nas candidaturas proporcionais e estaduais.

Quanto ao apoio ao presidente Jair Bolsonaro, o PTB promete apoiar sem pedir nada em troca inicialmete, como afirmou por diversas vezes o próprio Roberto Jefferson. Fakhoury lembra que, até agora, sempre que apoiadores do governo necessitaram de auxílio, o PTB tem socorrido.

Bolsonaro tem dado indícios de ir para um partido de centro, como o PL ou o PP. O PTB mantém as portas abertas, mas reafirma o apoio na esperança de que o presidente, se não aderir ao partido, ao menos indique deputados aliados a se filiarem ao partido de Jefferson. Isso faria com que o futuros candidatos pudessem estar mais alinhados às pautas conservadoras, evitando a repetição do efeito PSL na "onda Bolsonaro", de 2018, que trouxe ao campo político uma quantidade grande de políticos oportunistas que se voltaram contra o presidente e seus próprios eleitores após eleitos.

"Esse risco ele minimiza se ele direcionar as pessoas, os candidatos à reeleição, para vir para PTB", disse Fakhoury. "Pelo menos você vai dar o fundo partidário a novos conservadores", explicou, ressaltando o exemplo do PSL, que se tornou um partido de oposição.

Governo de São Paulo

Fakhoury disse ter uma opção, que é trazer Abraham Weintraub e Luiz Philipe de Orleans e Brangança para o partido, que segundo ele são os nomes mais competitivos na direita. Mas considera as eleições para o Senado mais importantes do que de governo do estado.

"O acordo seria: eu lanço o meu candidato a Senado por São Paulo pelo PTB e ele [o presidente] sai com o seu candidato por outro partido", exemplificou, esclarecendo que o candidato de Bolsonaro para SP pode ser Tarcísio (ministro da Infraestrutura), Weintraub, Luiz Philipe ou qualquer outro.

"Esses cargos tem que estar à disposição da executiva nacional para negociar uma possível coligação. Apoio já tem. Agora, o apoio é uma coisa, você ter uma coligação é outra. Coligação você negocia cargos e negocia participação no governo também, isso aí faz parte do jogo", explicou.

 


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