ENTREVISTA

Olavo Tem Razão: um filme para todos os brasileiros

Paulo Briguet · 7 de Julho de 2020 às 13:50

Live com participação de diretores do BSM lança “Olavo Tem Razão” — o filme que vai refutar as críticas e ataques contra o filósofo brasileiro Olavo de Carvalho. Em entrevista ao BSM, Mauro Ventura fala sobre o projeto

Será lançada hoje a campanha de crowdfunding do filme “Olavo Tem Razão”, um projeto do cineasta carioca Mauro Ventura. Hoje à noite, a partir das 21 horas, por meio de uma live no YouTube, cinco alunos do grande filósofo brasileiro — Bernardo Pires Küster, Silvio Grimaldo, Paulo Briguet, José Otávio Gaó e o próprio Ventura — darão o pontapé inicial em um projeto ousado mas necessário: responder a todos os ataques contra o filósofo brasileiro Olavo de Carvalho, alvo de uma das maiores campanhas difamatórias já vistas na história.

Em entrevista ao BSM, Mauro Ventura falou sobre a importância de Olavo em sua trajetória pessoal e profissional e explicou como se deu a concepção do projeto “Olavo Tem Razão”:

 
Paulo Briguet: Como você conheceu o Olavo?
Mauro Ventura:
Sou de uma família grande, de ascendência espanhola, que se converteu ao protestantismo. Ao longo da minha infância, recebi uma influência muito forte das tradições familiares. Mas, aos 18 anos, comecei a romper com essa influência. Descobri o mundo e resolvi aproveitar: entrei para uma banda de rock e comecei a fazer teatro. Mergulhei de cabeça: durante 23 anos, me dediquei quase que exclusivamente ao teatro, no meio artístico carioca. Fiquei exposto a toda degradação em que esse meio está mergulhado. Todo arcabouço familiar de algum me segurava, mas eu convivi com muitas pessoas degradadas moralmente, por certos aspectos até perversas. Aquilo foi me violentando aos poucos, a ponto de eu me desvincular completamente da religião e participar até de uma ordem ocultista ligada a Aleister Crowley. Bebi de fontes podres, desci bem fundo. Isso bagunçou bastante a minha cabeça; eu cheguei a acreditar que tinha problemas mentais e deveria consultar um psiquiatra e tomar remédios tarja preta. Hoje, venho que a minha base familiar evitou que eu descesse ainda mais fundo. Não cheguei a dar entrada no pinel, mas quase. Em vez de entrar no pinel, me matriculei numa faculdade de filosofia, por EAD. Já estava com 35 anos. De cara, entendi que o curso não poderia me dar o que eu procurava. Comecei a pesquisar coisas na internet. Encontrei o Paulo Ghiraldelli e, por incrível que pareça, foi por ele que eu cheguei ao Olavo. Assistindo a um vídeo do Ghiraldelli, notei um link naquela barra lateral do YouTube. Tratava-se de um vídeo com um senhorzinho simpático, cujo título era, se não em engano, “Considerações iniciais sobre o Curso Online de Filosofia”. Cliquei e o Olavo começou a falar. Pela primeira vez, por algum motivo, eu sabia: ali estava o que eu procurava. Todas as outras fontes faziam um enorme esforço para que eu aderisse a elas. Mas a proposta do Olavo me parecia despretensiosa: “Se você quiser, venha; se não quiser, não venha”. Decidi fazer o COF logo no primeiro ano. Esse vídeo eu vi em dezembro do 2018, e o COF começou em março do ano seguinte. Eu estava numa reunião de produção, com dois sócios da minha produtora de teatro, e disse a eles: “A aula do Olavo está começando agora. Vou continuar aqui com vocês, mas vou acompanhar a aula no meu laptop”. A aula teve um monte de problemas de transmissão, várias quedas de sinal. A aula durou por volta de quatro horas. De lá para cá, eu não consegui largar o Olavo. Até hoje sou assíduo nas aulas do COF ao sábado; quando não assisto é porque estou filmando ou em algum compromisso muito importante, mas logo depois eu recupero a aula.

 

Paulo Briguet: Mauro, é incrível como a sua história é parecida com a minha...
Mauro Ventura:
Mas o meu caso talvez tenha sido mais grave... Cheguei ao Olavo praticamente um satanista. Uso o termo “praticamente” para atenuar um pouco, mas talvez eu fosse pior do que um satanista. Eu estava completamente perdido, não sei dizer onde estava. Comecei naquela ordem ocultista como ateu; depois passei a ser decididamente anticatólico. Em seguida passei a fazer uma coisa chamada “magia do caos”, lidando com forças muito baixas. Saí desse mundo subterrâneo para identificar esse primeiro ponto de luz no Olavo. Nas primeiras 20 aulas do COF, eu não conseguia ouvi-lo falar da religião católica. Quando ele menciona a Igreja, eu olhava para o outro lado, pegava alguma coisa para me distrair. Nessa época, eu não entrava em templos religiosos. Certa vez, fui fazer a temporada de uma peça em São Paulo, as pessoas do grupo resolveram entrar numa igreja histórica para conhecer a arquitetura do templo, mas eu não consegui entrar. Lá pela vigésima aula, aquilo começou a incomodar de outra forma. Eu queria entender por que tudo aquilo que me parecia lógico, racional e luminoso no Olavo, ao mesmo tempo me causava tanto incômodo? Aos poucos, eu fui percebendo que o problema estava em mim e que aquilo era parte de todo o circuito que o Olavo fazia os alunos experienciarem durante as aulas. Tudo começou a fazer sentido. Eu precisava entender por quê. Descobri, então, que todo o conteúdo das primeiras aulas do Olavo me remetia à realidade mesma. Aquilo tirava o véu sobre os meus olhos e me fazia olhar diretamente para a realidade. Esse foi o primeiro contato com o Olavo: saindo das trevas e indo para algo luminoso que não é dele, mas algo que ele aponta, como se dissesse: “Olha a luz, lá!”

Paulo Briguet: Você se converteu, Mauro?
Mauro Ventura:
Sim. Mas, para expressar todo esse processo que vivi, ainda claudico, tenho que resgatar coisas ainda não articuladas na memória. Como eu disse, tive uma formação evangélica. Mas, a partir do contato com o Olavo, eu fiz a minha iniciação adulta na Igreja Católica, com Dom Justino, aqui no Mosteiro de São Bento, no Rio de Janeiro. Já recebi o sacramento do batismo e estou aguardando para sair do pecado mortal — vivo com minha esposa há 21 anos, temos um filho, mas ainda não somos casados na Igreja. Pretendemos fazer isso em breve e ficarmos quites com a nossas obrigações religiosas.

Paulo Briguet: E o que isso mudou na sua vida?
Mauro Ventura:
A partir daquela primeira aula, as coisas começaram a degringolar. Aos poucos, eu fui sendo afastado de vários círculos dentro do meio artístico. Comecei a perder trabalhos de design cênico, parei de ser chamado para atuar... Percebi que isso não vinha só de um grupo de conhecidos ou outro, mas começava a contaminar toda a minha rede de contatos. Até que, no ano de 2013, eu me vi sem nenhum trabalho. Na época, minha esposa tinha um bom emprego, não passamos por nenhuma necessidade maior, mas eu vi, depois de 23 anos de carreira, sem nenhum contato de trabalho.

Paulo Briguet: As pessoas manifestavam alguma coisa?
Mauro Ventura:
Não diziam nada. Era um processo velado, silencioso. Simplesmente eu não era mais convidado por ninguém. Eu me vi totalmente abandonado. Amigos de duas décadas baixavam o olhar quando me cruzavam na rua. Foi melancólico. Pensei: “Preciso me reinventar de alguma forma”. Como aluno do Olavo, aprendi algo importante: você deve se cercar de pessoas que têm o mesmo objetivo ou um objetivo semelhante ao seu. Naquela época, vários alunos do COF combinaram de se encontrar e formaram um grupo que existe até hoje. Isso foi essencial: estar com essas pessoas foi o chão que me faltava. Quem teve todos os elementos de degradação e perdição que eu tive acaba perdendo a dimensão prática da vida. Por isso, em 2013, essa proximidade com os alunos do COF me ajudou bastante. Eu havia terminado a faculdade de filosofia e comecei a fazer cursos de empreendedorismo e gestão, inclusive um MBA empresarial. Tinha uma boa experiência — durante 20 anos, havia gerenciado uma companhia teatral, três espaços teatrais e uma produtora. De certa forma, sempre fui um empreendedor. Comecei a fazer trabalhos gratuitos para negócios dos alunos do Olavo: ajudei a criar uma editora, fiz mentorias, elaborei planos de negócios em empresas. Aos poucos, fui elaborando um projeto pessoal, que envolvesse os meus talentos — e para isso valeu muito o exercício do necrológio, que o Olavo recomenda a seus alunos no início do COF. Em 2013 ainda, no meio da tempestade, decidi visitar o Olavo. Uma série de circunstância favoráveis aconteceram e eu tive uma interação pessoal com o Olavo: levei a ele a proposta de fazer um filme. Minha idéia era fazer um filme que lidasse tanto com o universo de pessoas contrárias ao Olavo como o universo de pessoas que defendem o Olavo. Olavo ouviu-me com muita paciência e atenção, com o olho no fundo do meu olho. Pensei: “Tô abafando!” (É um traço da personalidade do Olavo: essa generosidade em ouvir as pessoas.) Falei por uns 30 ou 40 minutos. No final, ele disse: “Muito bom. Mas nós não vamos fazer isso, não”. (Risos.) E me fez uma outra proposta, sensacional. Acabei ficando com a ideia dele. Voltei para o Brasil, fiz os contatos necessários. Esse projeto dependia da transcrição de uma entrevista que ele havia dado, e nós não conseguimos recuperar o conteúdo dessa entrevista. Quando eu já estava quase desistindo, vi uma publicação no Facebook de um cara chamado Josias Teófilo. No post, ele fazia a seguinte pergunta: “E se existisse um filme sobre Olavo de Carvalho?” Naquele momento, eu congelei. Xinguei muito o Josias: quem é esse cara, que eu nunca vi, e vai fazer o “meu” filme? Porém, logo depois de amaldiçoar a quinta geração do Josias, procurei saber quem era ele e me propus a ajudá-lo. Fiz o contato com ele, nos tornamos amigos e eu acabei me tornando assistente de direção do filme “O Jardim das Aflições”. Quando eu me envolvi com “O Jardim das Aflições”, eu já não tinha mais nenhum dos meus clientes de modelagem de negócios, com exceção do professor Rodrigo Gurgel, e do próprio Olavo. Trabalhando nesse filme, eu entendi que o cinema era meu caminho.

Paulo Briguet: A reação das pessoas a “O Jardim das Aflições” mostra que Olavo é amado e odiado com a mesma intensidade.

Mauro Ventura: Olavo é amado por aquilo que ele é, e odiado por aquilo que ele não é. Quando alguém odeia algo que desconhece, isso é fruto de um autoengano, de um estado muito semelhante àquele que eu me encontrava antes de conhecer o Olavo. Há coisas que você não compreende no primeiro olhar; o pensamento do Olavo é assim. Se há uma desordem na alma da pessoa, ela quer fugir do que não consegue entender. Aí também existe um vício comum entre os brasileiros, que o Olavo explica com a imagem do balde de caranguejos. Quando um caranguejo está prestes a alcançar a borda de balde, vem outro e o puxa para baixo. Também existe a admiração invejosa, em que você percebe que a outra pessoa é maior do que você, mas, em vez de se inspirar na grandiosidade, você começa a se autossabotar e a desprezar o outro — afinal de contas, você é mais você, sabe pensar “com os próprios miolos”. É tão difícil entender esse ódio ao Olavo que não basta expor a verdade para a pessoa; a pessoa está numa carapaça tão intrincada, tão fibrosa, que o máximo a fazer é rezar por essa pessoa. Isso me dá uma melancolia profunda. Talvez por isso o Olavo tenha tomado a decisão de não morar mais no Brasil. Esse ambiente nocivo não é uma abstração; ele tem um peso, é concreto, pressiona as almas de encontro ao chão.

Paulo Briguet: Sua missão é complexa e muito difícil. Olavo é uma das pessoas mais atacadas no Brasil e até mesmo no mundo. Há um exército atacando um homem só.

Mauro Ventura: Macaco velho não põe a mão em cumbuca, mas agora já era... Já botei! (Risos.) Estou recebendo pressões de lugares que eu jamais imaginei que viriam. Espero que isso não me influencia de forma negativa. Mas estou muito centrado: sei o que tenho de fazer, o que posso fazer e vou me entregar de corpo e alma ao projeto. Fora isso, acho que posso motivar outras pessoas, cada uma dentro de seus talentos, a empreender algum esforço nesse sentido. Já que há uma legião de pessoas odiando o Olavo, mentindo sobre o Olavo e tentando assassinar a reputação do Olavo, precisamos de uma legião que empreenda um esforço a favor do Olavo. Até dois anos atrás, você procurava qualquer coisa sobre o Olavo no Google e os resultados de busca eram artigos dele, eram páginas com conteúdo do Seminário de Filosofia, eram entrevistas do Olavo com alunos... Bastou acontecer a corrida eleitoral de 2018, e que se despertasse toda a inveja e o medo a que me referi, para que a situação mudasse completamente. Você digita “Olavo de Carvalho” no Google e só vem conteúdo negativo: matérias da Folha, da Istoé, da Globo, do Brasil 247, do Diário do Centro do Mundo... É uma dificuldade pesquisar sobre o Olavo hoje. Esse resultado se dá principalmente no mundo digital. Você não vê, por exemplo, obras que refutem a Teoria dos Quatro Discursos, teses de doutorado que façam oposição à Teoria das Camadas da Personalidade... Não existe uma refutação a nada da obra de Olavo de Carvalho. O que existe são fofocas, intrigas, mentiras das mais baixas. Apesar de existir uma quantidade gigantesca de ataques ao Olavo, é tudo muito frágil. O que você faz, então? Apresenta a verdade. A refutação, em si, é fácil. O problema está em repercutir isso para a posteridade. O projeto “Olavo Tem Razão” é uma tentativa de fazer que o meio intelectual criado em torno do Olavo possa refutar esses ataques. Eu me propus a realizar uma obra cinematográfica, juntamente com o José Otávio Gaó. Há mais ou menos um ano, ele me apresentou um projeto muito parecido com aquele que eu apresentei ao Olavo em 2013, no início desta jornada. E agora o Olavo concordou com o projeto do filme! Vamos chamar intelectuais para oferecer à posteridade um documento que refute os detratores, desfaça o véu de mentiras e apresente o Olavo como ele de fato é. Ainda que se fechem as portas dos cinemas, ainda que tentem fazer como fizeram com “O Jardim das Aflições” — agredindo o público dos filmes —, nós vamos usar de todos os recursos legítimos para que “Olavo Tem Razão” seja um filme visto por todos os brasileiros. Mas não será apenas um filme. A ideia é de que várias iniciativas nasçam a partir daí — livros, vídeos, sites, teses, simpósios, debates. Vamos mostrar que os ataques ao Olavo são sempre meias verdades, 1/8 de verdade, um centésimo de verdade, um milésimo de verdade. Às vezes, nem isso, mas apenas mentiras. Olavo tem razão; seus detratores têm apenas ódio.

— Assista à live de lançamento do projeto “Olavo Tem Razão”. Hoje (7), às 21 horas:

 

 


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