DIÁRIO DE UM CRONISTA

Obrigado, Dra. Nise

Paulo Briguet · 2 de Junho de 2021 às 12:18

A esperança é uma ameaça inconcebível para aqueles que desejam reinar por meio do desespero e do medo

“Estes cães raivosos do capitalismo tentaram rasgar membro a membro
o melhor da nossa terra soviética (...). Exijo que sejam fuzilados ― todos eles!”

(Andrei Vichinski, 22 de agosto de 1936)


A diferença entre o interrogatório policial da Dra. Nise Yamaguchi à CPI da Covid e uma sessão de tortura seguida de fuzilamento é apenas de grau. O espírito que moveu os escroques do Senado no dia de ontem equivale ao de todos os interrogadores em regimes totalitários. Nessas ocasiões, a pessoa interrogada só possui dois direitos: o de concordar com seus inquiridores e o de se autoincriminar.

Sem sombra de dúvida, vimos ontem uma descida aos infernos. Não foi por acaso que Dra. Nise mostrou a seus interrogadores o livro “Em Busca de Sentido”, no qual o médico e psicólogo Viktor Frankl narra sua experiência como prisioneiro dos campos de concentração. A tese central da obra de Frankl não consiste numa denúncia do nazismo ou numa tentativa de apontar culpados pelo genocídio, mas numa celebração do sentido da vida. Dr. Frankl sustenta que, mesmo nas condições mais difíceis e dolorosas, o ser humano conserva a capacidade de encontrar um propósito na existência e um motivo para continuar vivendo.

Em sua longa e celebrada carreira médica, a Dra. Nise salvou inúmeras vidas. Testemunhou o sofrimento e a luta de milhares de pessoas. Dos pacientes de câncer aos pacientes de covid, ofereceu uma esperança autêntica, comprovando que a fé e a razão humana não são categorias excludentes, mas mutuamente complementares. Com aquela voz suave que irritou o presidente da palhaçada, Dra. Nise transmitiu durante mais de 40 anos as mensagens de esperança trazidas pela verdadeira ciência.  

No entanto, essa esperança é uma afronta aos orcs demoníacos do poder. Tudo que eles querem é servir ao sistema virulento da ideologia política. Se para isso for preciso mentir, difamar, caluniar, trapacear, roubar, torturar e matar ― eles o farão com a maior naturalidade. Acaso não estão negando tratamento a milhares de pacientes que poderiam ser salvos? A esperança é uma ameaça inconcebível para aqueles que desejam reinar por meio do desespero e do medo.

A sessão de ontem é um aviso para todos os brasileiros de bem. Se algum dia você, que está lendo este texto, for considerado como obstáculo para o sistema político, será atacado com a mesma selvageria e impiedade. Não importa se você é homem, mulher, homossexual, branco, negro, nissei, índio, doutor, professor, cientista, adulto ou criança: quem atrapalha os planos da esquerda vira uma não-pessoa.

Não foi por acaso que aquela jornalista que transa muito, aquele escritor que não sabe escrever, aquele teólogo que não acredita em Deus e tantas outras criaturas do pântano coletivista fizeram as devidas louvações ao interrogatório de ontem: eles sonham com o dia em que os brasileiros todos resolvam obedecê-los por medo de enfrentar semelhante humilhação.

E, no entanto, esses demônios menores do poder nunca terão a satisfação de ouvir a frase que Dr. Frankl e Dra. Nise ouviram milhares de vezes de seus pacientes:

― Obrigado por me salvar a vida.

Paulo Briguet é cronista e editor-chefe do BSM.


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