POLÍTICA

O segundo mandato de Bolsonaro

Leandro Ruschel · 26 de Maio de 2020 às 10:07

Governo federal, centrão, STF, militares e a base eleitoral de Bolsonaro, cada um dos atores importantes na atual conjuntura política e as possibilidades para avançar as reformas e garantir um segundo mandato são analisados por Leandro Ruschell. 

Tecnicamente, o presidente cumpre o seu primeiro mandato presidencial. Porém, politicamente, não é exagero afirmar que temos um divisor de águas com a exposição da gravação da reunião ministerial pelo ministro Celso de Mello, no âmbito das investigações produzidas por denúncia do ex-ministro Sérgio Moro, que acusou Bolsonaro de ter buscado interferir indevidamente na Polícia Federal.

A eleição presidencial foi marcada por um profundo descontentamento do povo com o nível absoluto de corrupção em todos os poderes, desencadeado, em parte, pela atuação do próprio Sérgio Moro à frente da Operação Lava Jato, que desbaratou os maiores esquemas de corrupção já registrados na história.

Moro se transformou no símbolo do combate à corrupção. Portando, nada mais chocante para o público que buscou em Bolsonaro, um candidato fora do establishment e alinhado com a ideia de reconstrução do país, observar um dos símbolos dessa luta não só sair do governo, mas acusá-lo de intervenção indevida na Polícia Federal, órgão que foi decisivo na exposição dos crimes cometidos pela quadrilha petista e seus aliados, ao longo da Lava Jato.

Ora, Moro não faria uma denúncia dessa gravidade sem ter elementos definitivos de prova. É o que qualquer pessoa razoável imaginaria. O desmonte dessa tese começou horas após a fatídica coletiva, quando ministro anunciou sua saída e fez as denúncias. Naquela mesma noite, o Jornal Nacional trazia mensagens privadas trocadas entre Moro e o presidente, além de entre o ex-ministro e a deputada Carla Zambelli.

Tais mensagens mostravam Zambelli tentando demover Moro de sair do ministério, no dia anterior à sua saída. E o presidente insatisfeito com o trabalho da Polícia Federal e do próprio ex-ministro, mas não provavam nenhuma interferência indevida. Em primeiro lugar, chamou a atenção a postura do ministro em vazar conversas com seu ex-chefe e presidente da República. Logo ele, que tinha sido alvo de vazamentos criminosos no passado recente. Além disso...