ALTA CULTURA

O REINADO DE ROGER SCRUTON

Paulo Briguet · 13 de Janeiro de 2020 às 08:17
Homenagem do Brasil Sem Medo ao grande filósofo conservador britânico, que morreu neste domingo aos 75 anos

Assim como o Rei George VI, o filósofo inglês morreu serenamente em sua casa, ao lado da família. O monarca e o sábio, de nomes quase palíndromos, deixaram a vida antes do que esperavam, respectivamente, seus súditos e leitores. Ambos tiveram uma árdua e dolorosa luta contra o câncer, essa doença que alguém chamou de “imperador de todos os males”. Deixaram, o rei e o filósofo, a impressão de que, apesar de terem feito muito, ainda poderiam fazer mais. Dos grandes homens, nunca se acredita que realizaram o bastante, e talvez essa incompletude seja o maior preço da grandeza — sempre esperaremos deles uma nova palavra, um novo conselho, uma nova obra, um novo feito. Somente o próprio Deus se permite realizar “tudo em todos”.

Nos últimos seis meses, Roger Scruton travou a sua última batalha. Foi uma luta silenciosa e digna, embora possamos imaginar que também repleta de dor e sacrifício. O filósofo recebeu o diagnóstico do câncer logo após uma viagem ao Brasil, onde fora acolhido com grande entusiasmo por nossa gente. Creio que é significativo e simbólico o fato de que seu canto de cisne tenha sido entoado em nossa terra, onde se passa uma revolução conservadora inimaginável até muito pouco tempo atrás, e para a qual Scruton contribuiu decisivamente com suas obras, idéias e exemplos. Vale lembrar que o primeiro a apresentar e discutir em profundidade a obra de Scruton em nossas paragens foi o filósofo e escritor Olavo de Carvalho — exatamente o pai da revolução conservadora brasileira.