COMUNISMO CHINÊS

O PCC e o controle de informação nos jogos digitais online

Especial para o BSM · 30 de Maio de 2020 às 16:56

Regime comunista percebeu um vácuo de autoridade em jogos online multijogadores, o que permite que os jogadores tenham uma socialização livre e sem monitoramento

Henrique Inácio Weizenmann


A notícia é velha.

O problema é mais velho ainda.

Corre o alerta, mas há muitos que ainda não percebem a extensão ou mesmo a realidade e gravidade da questão.

O Taiwan News relatou uma nova investida da China na censura: o PCC proibirá jogadores chineses de jogos digitais online de jogar em contato com jogadores de outros países.

Conforme a matéria, o regime comunista percebeu um vácuo de autoridade em jogos online multijogadores, o que permite que os jogadores tenham uma socialização livre e sem monitoramento.

Segundo o Taiwan News, a medida é tomada porque a propaganda do Partido Comunista Chinês para silenciar seus críticos ao redor do globo e defender sua infalibilidade começa a falhar. Algo quase irônico. A nova lei deve impedir que o povo chinês descubra como o mundo está reagindo à forma como Beijing lida com o surto do coronavírus.

A notícia pode ser estranha para muitas pessoas que não compreendem a realidade dos jogos online e o fator de socialização. E isso merece uma explicação.

Atualmente, chats de jogos estão entre os sistemas de comunicação mais seguros do mundo. Como a regra é eles não armazenarem as mensagens entre os jogadores, são extremamente seguros.

Além do uso de ferramentas dentro dos jogos que permitem a comunicação, geralmente sem rastreio e sem backup, ainda existem os casos criativos onde elementos do cenário são utilizados para comunicação. Alguns jogos permitem que os jogadores causem dano temporário em partes do cenário. O dano é logo “regenerado”, mas é possível escrever usando essa mecânica. 

Os bots que controlam spam ou censuram determinados termos, muitas vezes, só bloqueiam certas palavras sem percepção direta do conteúdo contextual das conversas.

Esse aspecto da comunicação segura, porém, é secundário. A maioria dos jogadores não está num jogo para usá-lo para conversas sigilosas. A maioria se utiliza do chat porque quer conversar com outros jogadores sobre coisas do jogo ou coisas de amigos.

Quando amigos de países diferentes conversam, é possível que eles conversem sobre a realidade do próprio país e como ela é relatada no estrangeiro.

Ou seja, se usuários chineses jogarem com usuários de outros países,  poderão ter acesso a informações não controladas pelo Partido Comunista Chinês. A solução? Proibir que os jogadores chineses tenham esse contato “perigoso”. Ou seja, proibir que os chineses tenham amigos fora da China.

É importante que a comunidade gamer perceba que a ignorância política pode custar alto no próprio entretenimento de que eles tanto gostam.

— Henrique Inácio Weizenmann é jornalista/social media na área de jogos e entretenimento.
[email protected]


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