EXTREMA-IMPRENSA

O ódio delinquente e estúpido ao presidente Bolsonaro

Otávio Pedriali · 18 de Dezembro de 2020 às 10:08

Se a Folha de S. Paulo usasse contra o STF a mesma linguagem que usa contra Jair Bolsonaro, seus editorialistas estariam na cadeia
 

“Legião é o meu nome, porque somos muitos.”
(Mc 5, 9)


No último dia 12, a Folha de São Paulo publicou um editorial extremamente crítico ao presidente Jair Bolsonaro, com termos de tal agressividade que, se usados contra ministros do STF, bastariam para colocar o editorialista atrás das grades.

O conteúdo do texto propriamente dito é o que menos chama a atenção. Trata-se da ladainha de acusações contra Bolsonaro que já se tornou parte do credo politicamente correto brasileiro: o Brasil vive um desastre sanitário de proporções apocalípticas e o grande culpado é Jair Bolsonaro. Aparentemente, todas as ações de Bolsonaro durante a pandemia não são apenas incorretas e reprováveis: são execráveis, escandalosas e criminosas. Mas a pior delas é ser contra a vacinação compulsória: apenas um genocida, da estatura de um Hitler ou de um Stálin, poderia ser contra a vacinação compulsória.

Apenas um parêntese: não é engraçado que aqueles que acusam os conservadores de possuir um comportamento bovino sejam os primeiros a formar fila para receber uma vacina recém-desenvolvida?

Se o conteúdo do editorial não passa do sendo comum da legião formada pela cúpula dos grandes jornais brasileiros, cabe destaque à linguagem da publicação.

Mesmo que o tom da crítica dos principais veículos de comunicação ao presidente Bolsonaro seja muito agressivo desde o início do mandato, a linguagem deste editorial da Folha alçou novos patamares de agressividade, como se a intensidade dos adjetivos substituísse a demonstração lógica de que Bolsonaro seja, de fato, o principal responsável pelos mortos na pandemia.

Ao contrário: a bravata da Folha já supõe que está provado que Bolsonaro seja o maior responsável pela crise sanitária. Com o uso do lugar-comum jornalístico do momento: sem provas, Folha de São Paulo acusa Bolsonaro de ser o maior responsável pelos efeitos da pandemia no Brasil.

Seguem alguns dos adjetivos e das bravatas utilizadas no texto: “estupidez assassina do presidente Jair Bolsonaro”; “irresponsabilidade delinquente”; “Chega de molecagem com a vacina!”; “fantoche apalermado” (em relação ao ministro da saúde); “círculo de patifes”; “basta de descaso homicida”.

O que aconteceria se o jornal usasse tais adjetivos para se referir a ministros do STF? Não é preciso especular. Se a Folha recebesse o mesmo tratamento recebido por alguns outros jornalistas, teria suas redes sociais apagadas e alguns de seus jornalistas poderiam ser jogados na cadeia.  Pelo menos é o que aconteceria se a mais alta cúpula do judiciário brasileiro tratasse igualmente todos os veículos de imprensa.

Mas os jornalistas da Folha não devem estar preocupados com isso. É claro: a diretoria do jornal deve se consolar com a crença de que não dirige um blog, mas um veículo de jornalismo profissional. Mas quando jornalistas formados são tratados como meros blogueiros como pretexto para que sua atividade profissional seja censurada, a distinção entre blogueiros e jornalistas profissionais é arbitrária e depende, em última instância, de apenas um fator: a simpatia de quem tem o poder de mandar calar.

Afinal, algumas das vítimas do inquérito ilegal limitaram-se a publicar críticas enfáticas contra o STF. Algumas delas, com menos intensidade do que os adjetivos quase obscenos com que a Folha de dirigiu ao presidente.

Mas, ao que parece, críticas incisivas só podem ser direcionadas ao presidente da república. Caso sejam direcionadas a ministros do STF, já não se trata mais de democracia, mas de discurso de ódio. A elasticidade semântica só não é maior que a cara de pau.

Além da assimetria no tratamento permitido aos chefes do executivo e do judiciário, outra assimetria espanta tanto no editorial quanto no consenso construído pelos conglomerados de mídia.

Jair Bolsonaro é responsabilizado pela crise sanitária com muito mais frequência e ênfase do que a China. O próprio editorial em questão alega, sem meias palavras, que o maior responsável pelo conjunto de desgraças que a COVID-19 impôs ao Brasil é o presidente.

Não custa lembrar: o vírus teve origem na China, que já tinha conhecimento do surto de Covid-19 meses antes de informar ao mundo sobre a nova praga. Também foi a China que omitiu ao menos 1/3 dos casos de Covid no início da pandemia. Se o país asiático tivesse começado a agir tão logo soubesse da pandemia, é provável que as dimensões da crise teriam sido consideravelmente menores.

Em vão o leitor irá procurar nas páginas de qualquer dos grandes jornais brasileiros exortações virulentas contra a China. Pior: mesmo com a notícia recente, divulgada pela CNN, de que a China omitiu grande parte dos casos de Covid-19 no início da pandemia, a grande mídia aceita sem questionamentos os números atuais da doença no país asiático.

Com relação aos dados da China, não há ressalvas nem questionamentos, mesmo que se saiba que ditaduras não costumam ser honestas e transparentes na divulgação de indicadores importantes. Na China não há nenhum consórcio de empresas de mídia independente que averiguem e divulguem as estatísticas oficiais da praga, mas adivinhe o leitor: são as estatísticas brasileiras, não as chinesas, que a Folha costuma alegar serem subestimadas.

Com o uso do vocabulário da Folha: o ódio delinquente ao presidente é tão estúpido que faz com que muitos pareçam ser fantoches chineses, apalermados e irresponsáveis. Chega de molecagem!


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