GOLPE DO CHURRASQUINHO

O milagre econômico da picanha do Lula

Brás Oscar · 19 de Outubro de 2022 às 15:04

Se alguém acreditou no conto eleitoral sobre o preço da carne, está na hora de dar uma olhada nos verdadeiros números do governo petista. Quem embarcar na ilusão pagará uma conta salgadíssima



Dentadura, combustível e cesta básica já foram os itens clássicos usados por políticos para comprar o voto do eleitor miserável. O PT, porém, resolveu aumentar a aposta e inaugurou o voto por picanha com aquela gordurinha passada na farofa.

Lula promete trazer de volta, como mágica, um Brasil dourado lá da primeira década de 2000, quando o pobre vivia como um personagem de sitcom, com sua churrasqueira fumegando num lindo gramados sem cerca de um subúrbio ensolarado.

Ironia à parte, a promessa petista é baseada numa semiverdade, que é um nome bonito para uma mentira baseada em fatos reais. No início de 2003, Lula chegou ao Planalto com uma inflação de 12,53% herdada da administração FHC, que não conseguiu manter os preços e o câmbio sobe controle.

Fernando Henrique Cardoso já não conseguia fazer o eleitor se empolgar com a mera alegria de não haver mais hiperinflação –obviamente, afinal, o que vale é sempre o cenário atual. Os índices de 1,65% de 1998 saltaram para quase 9% em 1999 e daí foi só de mal a pior. O dólar alto e quase 13% de inflação em 2002, somados ao produto de marketing que ficou conhecido como “Lulinha Paz e Amor”, elegeram o esquerdista com mais de 61% dos votos no 2º turno.

Lula surfou numa onda de commodities gerada pelo crescimento e consequente aumento de demanda da China. Na verdade, praticamente todo o mérito do crescimento atribuído ao governo PT entre 2003 e 2006 deve-se a isso e a um certo alívio do mercado externo ao ver que Lula não seria um esquerdista ao estilo Fidel, mas um esquerdista ao estilo europeu, que rezaria a cartilha econômica dos grandes banqueiros.

Outro fator que é geralmente ignorado é o aumento exponencial de crédito, tanto por parte de bancos privados como públicos. Principalmente o uso dos bancos públicos para aumentar a oferta de crédito, forçando os bancos privados, isto é, a concorrência, a competir pareando suas ofertas.

E isso não é bom? Não quando a oferta é forçada artificialmente por intervenção do governo. Muito resumidamente, crédito não é dinheiro, no sentido de riqueza, valor produzido; é só um número eletrônico que o banqueiro coloca na sua conta e que se converte em dívida. É, em muitos aspectos, uma versão mais sofisticada do “imprimir dinheiro”.

Em 2008, no segundo mandato de Lula, veio a crise mundial causada pela bolha da especulação imobiliária nos EUA (aquela que seria só um marolinha, lembram-se?), o mercado de commodities se retraiu e o governo, que nunca teve exatamente um plano econômico de longo prazo, encarou uma das maiores altas nos preços da carne e de outros alimentos.

Outra pérola na coroa da incompetência petista foram os Campeões Nacionais. Usando outra vez o sistema bancário, notadamente o BNDES, o governo Lula e Dilma patrocinaram a fusão de empresas gigantescas criando oligopólios. Em curto prazo, principalmente para fins midiáticos, os resultados são maravilhosos: “A empresa que mais exporta carne bovina é brasileira!”

Como quem dá bom dia com o chapéu alheio, muita gente sentia que a JBS ou a BR Foods eram praticamente estatais, eram a nossa Seleção entrando em campo no mercado externo para nos dar orgulho.

O irmãos Joesley e Wesley, posteriormente envolvidos em um dos grandes escândalos de corrupção da época, criaram, na prática, um monopólio que controlou o preço da arroba nos frigoríficos, massacrando o criador com preços inviáveis para a produção. Quando isso ocorre, uma das primeiras reações do pecuarista é iniciar o abate de fêmeas (o padrão é o abate de machos). Menos fêmeas é igual a menos crias, o que em pouco prazo significa um rebanho menor.

Aí a boa e velha lei da oferta e procura entra em vigor sem dó nem piedade. O preço da carne disparou várias vezes durante o governo do PT, exatamente o contrário do que promete o conto eleitoral de Lula. Em 2008, o IPCA registrou aumento de 25%* no preço da carne, número que praticamente se repetiu em 2010, com 24,8%* de aumento naquele ano.

Lula gosta de citar o aumento do preço da carne durante o governo Bolsonaro para tentar fisgar o eleitor. Realmente, ao longo dos quase 4 anos do governo atual, o preço médio da carne bovina ao consumidor aumentou cerca de 73%*. Mas é preciso fazer uma comparação com os números do governo Lula.

Apenas no último mandato do ex-presidiário o aumento do preço da carne bovina foi de quase 89%*. Existe outro fator importante para se levar em conta: os aumentos foram constantes ao longo dos 4 anos do governo petista, enquanto o governo Bolsonaro passou a lidar com um aumento significativo apenas após o início da pandemia e de toda a crise mundial gerada pelas políticas de lockdown.

De janeiro de 2018 a outubro de 2019, por exemplo, período de transição no governo Temer e de grandes ajustes feitos pela gestão da pasta de Paulo Guedes, o preço da carne manteve-se extremamente estável, com um aumento inferior a 3% no acumulado de quase 2 anos. Foi só o PT sair do governo que o preço da carne se estabilizou.

Atualmente, o Brasil está entre as menores inflações do G20, fechando o ano com uma inflação abaixo de 5,6% e, pela primeira vez na história crescendo mais que a China, com uma projeção de aumento de 2,7% no PIB, enquanto a Zona do Euro enfrenta uma inflação média de mais de 12% no acumulado dos últimos 12 meses. Hoje até mesmo os EUA enfrentam inflação maior que a brasileira.

Em um eventual governo petista em 2023, certamente Lula surfaria no resultado da boa gestão econômica do governo Bolsonaro e em uma muito possível nova onda de commodities que se iniciará pela reconfiguração geopolítica criada pela guerra da Ucrânia.

É quase certo como o Sol há de nascer que o PT planeja novamente maquiar sua ingerência econômica com sua medida populista favorita: abrir a torneira do crédito fácil e sem critérios sólidos de liquidez. Nesse cenário, a crise vem a galope, exatamente como vimos no governo de sua subalterna, Dilma Rousseff.

A conta da picanha do Lula, se chegar, será salgada e muito além do ponto.

*Os preços no varejo da carne bovina foram calculados de acordo com a planilha em anexo, gentilmente fornecida pela especialista em economia e commodities Lygia Pimentel.

Anexo: Variações no preço da carne no varejo entre 2002 e 2022



 

 

 


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