EDUCAÇÃO BRASILEIRA

O MEC QUE NÓS ENCONTRAMOS

Especial para o BSM · 9 de Janeiro de 2020 às 15:40
Assessor especial de Abraham Weintraub faz uma radiografia do Ministério da Educação deixado como herança após o longo reinado PT-PSDB  

"A primeira coisa que choca é o tamanho da estrutura. São 1.200 funcionários, apenas no prédio do Ministério na Esplanada, mas cerca de 300 mil no total. Estou falando de metade do total de funcionários federais civis do Brasil, em um único Ministério! Temos mais de uma centena de entidades vinculadas (muitas com orçamentos bilionários), como universidades, institutos, autarquias, fundações, conselhos e organizações sociais. Um desafio gerencial por si só, muito agravado pelo crescimento rápido e desordenado da “máquina” nos últimos anos."

"Há mais de 30 anos os governos fatiavam a máquina pública entre os partidos políticos, em troca de apoio. A divisão não era feita só em nível de Ministério, mas de secretaria, diretoria, senão ainda abaixo. Cada cantinho era como se fosse propriedade de um partido, frequentemente com “porteira fechada”. Qual seria o foco desses senhores ao conduzir seus trabalhos? Não havia alinhamento. Eram “cota” de suas siglas. Seu maior incentivo era inchar seus próprios feudos."

"O foco todo das últimas gestões, desde FHC, era só aumento de vagas. Qualidade nunca importou. O resultado é uma cultura acadêmica em que se publica muito artigo científico, mas com baixíssima relevância. Cerca de 80% do que é publicado por nossos pesquisadores nunca será citado por ninguém. É como se não existisse para fins práticos, mas consome recursos. Para resolver isso não há uma só medida, mas diversas, e estão sendo tomadas. Precisamos mudar essa cultura, e isso não se resolve com uma canetada."