ANÁLISE

O homem moral na sociedade imoral

Braulia Ribeiro · 1 de Novembro de 2022 às 15:27

Discernindo o que é certo e o que não é depois da derrota, com o auxílio do grande teólogo Reinhold Niebuhr  

O Brasil do “bem” acordou consternado e com dificuldades para antecipar o que virá pela frente. Esse é um daqueles momentos em que acordar é difícil. Mal comparando, Viktor Frankl dizia que a norma em Auschwitz nos grandes dormitórios coletivos era não despertar alguém que estivesse se debatendo no meio de um sonho. A realidade seria sempre pior que qualquer pesadelo.  O pesadelo do Brasil do futuro começou com a militância descendo o morro, o crime organizado anunciando claramente que o pacto civil em favor da lei e da ordem não existe mais, com jornalistas de renome sendo demitidos e com centenas de caminhoneiros bloqueando as ruas na esperança de um milagre.

Antes de começar a desenvolver a ideia principal deste artigo, tenho que fazer aqui diante de vocês minha confissão de fé:

“Eu declaro de fato e verdade que essas eleições não foram justas, críveis nem honestas. O candidato ex-presidiário não ganhou as eleições, tomou. Prometo não me referir nunca à sua ‘vitória’. Eu creio que desde o início a candidatura do molusco foi engendrada através de subterfúgios autoritários, em decisões ilegítimas, muitas delas monocráticas, todas se insurgindo abertamente contra a lei constitucional vigente no país. Eu creio que nós brasileiros não perdemos as eleições, fomos roubados por bandidos que atuaram descaradamente diante dos narizes e do consentimento de todo o aparato político e burocrático do país. Me envergonho do Congresso e do corpo judiciário desse país que traiu a nação por um prato de lentilhas. Que eles possam um dia, se a misericórdia de Deus os tocar, envergonhar-se também diante do seu Criador. Prometo também não usar a palavra ‘democracia’ para me referir ao regime que vigora no Brasil. Que sejam sempre verdadeiras as palavras que saírem desse teclado. Amém.”

Pronto. Agora vamos ao tema do artigo. O que o cidadão cristão, que ama seu Deus, seu país e sua família deve fazer? Sugeri ao leitor que o discernimento moral sempre tem que preceder a ação política. Apenas a “polity” – a sociedade formada pela unidade cultural e religiosa das pessoas que se encontram no Brasil – pode julgar o poder. Que tipo de sociedade vai renascer das cinzas desse pleito vergonhoso?