DIÁRIO DE UM CRONISTA

O hino da epidemia

Paulo Briguet · 12 de Maio de 2020 às 15:21

Filipe Trielli lança a canção que vai animar a sua quarentena: "Corona Vírus"

O músico Filipe Trielli acaba de lançar o hino da pandemia brasileira. “Vírus Corona” (paródia de “Lady Madonna”, de Lennon e McCartney) resume em dois minutos aquilo que nós estamos vivendo nos últimos dois meses.
 
Desde 2015, quando estourou com “É Black, é Block”, uma paródia de “Águas de Março” com letra de, vejam vocês, Felipe Moura Brasil, Trielli vem emplacando sucessos que compõem uma espécie de crônica musical da realidade brasileira. No começo, Trielli ficava meio escondido (“Eu era um direitista no armário”), mas, depois que tomou a red pill e assumiu o conservadorismo, produziu peças antológicas como “Brazilian Rhapsody” e “Ninguém vai falar mal do STF” (que, segundo as bocas de matildes, fez sucesso até entre os ministros togados).

Essa habilidade no gênero das paródias vem literalmente de berço: ainda adolescente, Trielli se juntou ao pai, o grande Luigi Marnotto, e aos irmãos Leonardo e Victor para formar a banda Los Taturanas, cujo repertório combinava ícones do humor musical brasileiro — Noel Rosa, Karnak, Premê — e paródias compostas pela família. Por sinal, pai e filho não são apenas bons músicos, mas também dois conservadores e conversadores de alto nível, que este cronista teve a alegria de conhecer.

As paródias de Trielli — que podem ser vistas no canal Chinchila — têm uma característica que salta aos ouvidos: a excelência técnica. “Para mim, humor é coisa séria. Eu trabalho em cada detalhe dos arranjos, para que tudo sai perfeito. Quando gravei a paródia de “Águas do Março”, um amigo músico me perguntou onde eu tinha encontrado a base instrumental da música. Mas eu não encontrei: eu fiz de novo.”

Como amigo e ouvinte, eu só tenho uma reclamação a fazer, Trielli: faça mais paródias. Neste país, temas não faltam...

Paulo Briguet é cronista e editor-chefe do BSM.