CRÔNICA

O fingimento criminoso dos liberais

Paulo Briguet · 18 de Novembro de 2022 às 16:57

Economistas que fizeram o L. sabem perfeitamente bem que o desastre econômico foi uma tragédia anunciada antes das eleições




“Non ragioniam di lor, ma guarda e passa.”
(Inferno, Canto III)


A peça Édipo Rei, escrita por Sófocles em 430 a.C. e considerada por Aristóteles como o modelo de tragédia, deveria ser lida por todos os seres humanos. Só o conhecimento dos clássicos e da tradição sagrada nos permite ampliar o horizonte intelectual e desenvolver a imaginação moral para resistir aos movimentos totalitários do nosso tempo.

Ao descobrir que sem saber matou o pai e casou-se com a mãe, o rei Édipo não apenas renuncia ao trono como também fura os olhos, para se purgar diante da enormidade dos sofrimentos que causara. Ele poderia muito bem alegar ignorância, mas não o fez. Édipo era uma alma nobre, não tinha o caráter dos liberais brasileiros.

No livro A Insustentável Leveza do Ser, Milan Kundera utiliza Édipo Rei para fazer uma severa condenação do sistema socialista. O personagem Tomás escreve um artigo dizendo que os chefões do Partido deveriam seguir o exemplo do rei Édipo e furar os olhos para se penitenciar diante dos crimes cometidos pelo regime. Por causa desse artigo, Tomás perde o emprego de médico e é perseguido até a morte.

Os liberais que fizeram o L. nas eleições presidenciais — estou falando de Armínio Fraga, Henrique Meirelles, Elena Landau e tantos outros — agora fingem escândalo e decepção diante das falas desastrosas do ex-presidiário sobre a economia. Se tivessem um mínimo de vergonha na cara, reconheceriam o erro monstruoso que cometeram e furariam os próprios olhos, ou seja, voltar-se-iam para dentro de si mesmos, abdicando de qualquer pretensão de influenciar a vida pública. No entanto, esses companheiros de viagem do PT sabem perfeitamente bem que Lula não começou a atacar os fundamentos básicos da economia depois de eleito. Durante a campanha, ele disse com todas as letras e números que acabaria com o teto de gastos e com o equilíbrio fiscal do país, duramente obtido durante o governo Bolsonaro, mesmo com pandemia e guerra.

Essa gente não passa de um bando de fingidores compulsivos e patológicos, que tentam agora se eximir da culpa por conduzir o país ao abismo. Para destruir um presidente que não lhes fazia as devidas vênias, os liberais aceitaram ser cúmplices de uma organização criminosa que, assim que puder, não terá a menor problema em aniquilar aqueles que até ontem eram seus parceiros no infame teatro das tesouras. O fingimento dos liberais não é apenas ridículo e vexatório, mas também criminoso. Quando sairmos deste pesadelo — e tenho fé que sairemos —, eles serão cobrados por sua traição ao país.

Paulo Briguet é escritor e editor-chefe do BSM.

 


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