BIG TECHS

O fim da liberdade na internet

Fábio Gonçalves · 9 de Janeiro de 2021 às 17:04

Com a confirmação de Joe Biden na Casa Branca, Twitter censura Trump e grandes empresas de tecnologia ampliam ataques à liberdade de expressão

Com a culminação do processo eleitoral americano que, mesmo sob inúmeras suspeitas de fraudes, sacramentou a vitória do democrata Joe Biden, as grandes empresas de tecnologia, chamadas Big Techs, avançaram suas políticas de censura às opiniões políticas conservadoras.

Símbolo máximo desse movimento de restrição à liberdade foi o banimento sumário do presidente Donald Trump no Twitter.

Sob o pretexto de evitar manifestações populares, como a que houve no episódio da invasão do Capitólio, a rede social, que já vinha perseguindo Trump durante o processo eleitoral, excluiu permanentemente a conta do republicano e causou com isso uma onda de revolta nos seus mais de 90 milhões de seguidores e em críticos de medidas autoritárias.

Além do Twitter, presidido pelo esquerdista Jack Dorsey, o Facebook e o Instagram, do também esquerdista Mark Zuckerberg, bloquearam o perfil do político.

Twitter, Facebook e Instagram são as três redes sociais mais movimentadas do mundo. Ao longo dos últimos anos, elas foram os principais meios de comunicação e discussão no âmbito político. Valendo-se desses canais, candidatos sem espaço na mídia tradicional e intelectuais excluídos do debate público mainstream puderam ascender politicamente — alguns, como Bolsonaro e Trump, chegando à presidência de suas nações —, e espalhar com bastante liberdade, para uma audiência gigantesca, suas ideias.

Com o banimento de Trump e de outras personalidades ligadas ao republicano, a leitura que se tem feito é que terminou a era de liberdade na internet.

E confirma essa tendência a manobra da Google, a mais poderosa das Big Techs, para impedir a utilização do aplicativo Parler, rede social que tem como promessa a plena liberdade — já há muito sonegada nas mencionadas concorrentes.

Sabendo que o Parler é uma rede que tem atraído conservadores insatisfeitos com o tratamento que lhes tem sido dispensado no Twitter e semelhantes, o Google tirou o aplicativo da sua Play Store — loja de aplicações —, dificultando consideravelmente o acesso ao programa. A Apple tem sido pressionada para ir no mesmo caminho.

Todos esses fatos têm levado os internautas a buscarem alternativas para continuarem gozando os benefícios das redes sociais. Além do Parler, houve um aumento expressivo na busca por um aplicativo de mensagens que substitua o WhatsApp, que também pertence a Mark Zuckerberg. As opções mais mencionadas são o já conhecido Telegram e o Signal, que teve um abrupto aumento de usuários depois que Elon Musk, homem mais rico do mundo, sugeriu o seu uso.

Vale mencionar que Trump, por canais alternativos, disse que os seus apoiadores “terão uma voz gigante no futuro”, sugerindo a criação de uma nova rede social.  


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