DIÁRIO DE UM CRONISTA

O declínio espiritual da América

Paulo Briguet · 10 de Agosto de 2022 às 11:44

Cartaz afixado em igreja histórica de Boston faz uma paródia esquerdista da mensagem cristã
 

 



A foto acima me foi enviada por uma amiga que está em Boston. O cartaz foi afixado na entrada da Old South Church, uma igreja congregacionista histórica, fundada em 1669. Trata-se de uma das mais antigas comunidades religiosas dos Estados Unidos, que chegou a ser frequentada por Samuel Adams e Benjamin Franklin, dois dos Pais Fundadores da nação americana.

Faço aqui uma tradução do que está escrito no cartaz:

Seja a igreja.
Cuide dos pobres.
Abrace a diversidade.
Rejeite o racismo.
Combata a mudança climática.
Perdoe com frequência.

Ame a Deus.
Empodere os sem-poder.
Compartilhe recursos terrestres e espirituais.
Curta esta vida.

Em meus 30 anos de experiência em comunicação, aprendi que o contraste e a ênfase são, por assim dizer, o coração de uma mensagem – seja uma notícia, uma crônica ou um anúncio publicitário. Ao deparar com esse cartaz e analisar sua mensagem, encontrei justamente aquilo que o ex-presidente Donald Trump destacou em um vídeo recente: o declínio da América.

Notem que o cartaz tem apenas frases imperativas, que compõem um programa de ação para os fiéis. Mas é com tristeza no coração que digo: esse programa não equivale ao Evangelho anunciado por Jesus Cristo. Trata-se de uma paródia esquerdista da mensagem cristã.

“Mas o que é isso, Paulo? O cartaz começa pedindo que nós sejamos a igreja e que cuidemos dos pobres!” De fato, não há nada errado com essas duas frases, mas com a interpretação do que elas dizem. Avance um pouco. Logo em seguida, vem a frase Abrace a diversidade; afirmação que não precisa de destaque, visto que o pano de fundo da imagem são as cores do movimento LGBT, facilmente visíveis a distância. (Aliás, as cores que a militância LGBT tenta esvaziar de seu significado bíblico original – a aliança de Deus com os homens).  Depois temos, em letras bold, as frases Cuide dos pobres e Rejeite o racismo. Também não há nenhum problema com essas mensagens. Qual é o cristão que não se compadece com os mais necessitados? Quem pode ser a favor do racismo? O ponto é que racismo, para a militância woke, é o chamado “racismo estrutural”, ou seja, aquela culpa difusa por crimes que o indivíduo jamais sonhou em cometer. Para a mesma militância, que hoje predomina nas grandes cidades americanas, cuidar dos pobres é rejeitar o direito de propriedade, pagar impostos escorchantes ao governo e aceitar a criminalidade como consequência natural da “injustiça social” do capitalismo (com base na noção falsa e preconceituosa de que a pobreza é a causa e a justificativa do crime).

Em seguida temos: Combata a mudança climática. Ora, que mudança, meu caro? Essa que estaria provocando uma onda jamais vista de mortes por mal súbito entre adultos, jovens e crianças até então saudáveis? Por favor, da próxima vez cite os dados científicos. Ou seria a mudança climática usada como pretexto para causar uma onda de fome e uma revolta social na República Socialista Democrática do Sri Lanka? Ou ainda a mudança climática para baixar regras que podem levar 70% dos fazendeiros holandeses à falência? Que respeito é esse com a criação de Deus que não leva em conta o ápice da mesma criação – o Homem, imagem e semelhança do Criador?

No meio do cartaz, em tipos finos – sem negrito – temos as mensagens Perdoe com frequência e Ame a Deus. Para a pessoa que contempla o cartaz a média distância, são palavras invisíveis. Até porque não ficaria muito bem perdoar alguém que negue a existência da dívida histórica, do racismo estrutural e das mudanças climáticas, certo? Até porque é imperdoável abraçar as ideias conservadoras, seguir a doutrina cristã sobre o casamento e a castidade, considerar determinadas práticas como pecaminosas ou ­– pior que tudo – votar em Trump ou Bolsonaro. Até porque pronunciar o nome de Deus pode ofender as pessoas que não acreditam nEle.

Muito mais digno de destaque – ao menos para os autores do cartaz – é Empoderar os sem-poder (desde que eles não votem em candidatos conservadores), Compartilhar recursos terrestres e espirituais (afinal, “Você não terá nada, e será feliz”) e, cereja do bolo, Curtir esta vida. Curtir esta vida adoidado, porque Céu e Inferno não existem, são quimeras da crendice medieval.

Trump tem razão. A América de João Bidê é uma nação em declínio. Declínio econômico, financeiro, social, militar e moral. Mas, acima de tudo, declínio espiritual. Rezemos para que os nossos irmãos do Norte consigam retomar o caminho sonhado pelos Pais Fundadores. E, para que esse caminho seja retomado, é fundamental que padres e pastores ouçam o apelo do psicólogo Jordan Peterson, publicado aqui no BSM:

“Vocês são igrejas, pelo amor de Deus. Parem de militar por ‘justiça social’. Parem de tentar salvar o maldito planeta. Auxiliem as almas!”

A questão da América é também a nossa: ou o Cristianismo, ou a barbárie esquerdista.

Paulo Briguet é escritor e editor-chefe do BSM.

 


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