A FÉ SITIADA

O CERCO DE FÁTIMA

Brás Oscar · 13 de Maio de 2020 às 09:48

Em Portugal, peregrinos foram detidos durante a noite; apenas queriam se aproximar da Imagem de Nossa Senhora. Tudo a ocorrer com anuência eclesiástica

“…ipsa conteret caput tuum…”
Gênesis 3, 15

Todos os anos a cidade de Fátima, na Região do Centro de Portugal, recebe milhões de peregrinos no dia 13 de maio, data em que se relembra a primeira de uma série de aparições de Nossa Senhora para os Três Pastorinhos nessa cidade. Todos os anos, menos este.

Portugal entrou em estado de emergência em 18 de Março por meio de um decreto presidencial, decreto este que fechou as igrejas e privou os fiéis da comunhão até 3 de maio, quando o estado de emergência foi substituído pelo estado de calamidade, permitindo a reabertura das igrejas, porém com restrições quanto ao número de pessoas na igreja e exigências quanto ao uso de máscaras, entre outros detalhes bem polêmicos, como a interferência estatal sanitária no rito da comunhão.

Em tais condições, muitos esperavam realmente que a Diocese de Leiria-Fátima e a reitoria do Santuário criassem uma maneira de permitir ao menos que os peregrinos realizassem a  visitação em pequenos grupos, mesmo com algumas possíveis restrições. Entretanto, o próprio Bispo de Leiria-Fátima, Dom António Marto, resolveu fechar as portas.

“Se acontecesse alguma coisa, a responsabilidade caía toda sobre a Igreja. Ninguém se lembraria das outras manifestações. Seria esta. Não queria ficar na história como responsável por um agravamento da pandemia” disse Dom António na conferência de imprensa de ontem pela manhã. A essa altura já havia cerca de uma centena de ônibus a chegar a Fátima, o que gerou certo clima de tensão. O Bispo classificou estes peregrinos como “grupos minoritários” dispostos a descumprir as restrições.

Desde a semana passada há rumores um deslocamento massivo de tropas da Guarda Nacional Republicana, GNR, para a região, dando conta de que Fátima estaria praticamente sitiada a partir do dia 12 maio. Na própria conferência ainda o Bispo comentou o assunto e disse que foi consultar o ministério da administração interna para saber se era verdade e afirmou então que tal cerco nunca fora sequer previsto: “As fake news se espalham depressa”, completou.

Entretanto, era visível já a partir do fim da tarde de ontem uma movimentação anormal de agentes da GNR nos quarteirões adjacentes ao Santuário, até que, um pouco antes das 21h30 um peregrino, que até o momento sabemos apenas que era homem e de nacionalidade irlandesa, conseguiu entrar por um dos portões e dirigiu-se à Capela das Aparições, carregando nos braços um quadro com uma pintura da Virgem Maria.

O irlandês, entretanto, foi impedido de se aproximar da capela por agentes da GNR que, contrariando a fala matutina do Bispo, estavam sim a rondar e cercar o local. Aproveitando-se da confusão, uma senhora, de nacionalidade portuguesa, também adentrou ao Santuário e tentou se aproximar da Capela das Aparições. A mulher também foi contida pela Guarda Nacional Republicana e, até o fechamento deste artigo, estavam ambos provisoriamente detidos numa esquadra da polícia.

O povo português parece estar em boa parte anestesiado pela ditadura do medo imposta pelo governo, pela OMS e pela mídia mainstream europeia, que vende o Coronavírus como a volta da peste negra e dias antes da peregrinação inundou suas publicações sobre supostas pesquisas que afirmavam que as pessoas estavam com  medo de viajar tanto para o exterior quanto para destinos nacionais. Quase não se vê reação das pessoas a tal absurdo; ao conversar com os populares, o que ouvimos é um tom condescendente à decisão do Bispo de Leiria-Fátima.

Dom António Marto afirmou ter recebido e-mails de fiéis a reclamar do tratamento que ele estava dando a situação, mas limitou-se a comentar que vários emails eram “agressivos e até ofensivos”. O Bispo, que foi feito Cardeal pelo Papa Francisco em maio de 2018, carrega em seu currículo um período de colaboração com a Liga Operária Católica, um grupo com ideologias esquerdistas de anticapitalismo e luta de classe. Dom António, porém, não parece achar ofensivo que o governo esquerdista português legisle sobre a liturgia da Santa Comunhão.

Que Nossa Senhora de Fátima, Rainha de Portugal e dulcíssima mãe de todos nós, esmague a cabeça da serpente que agora se traveste de pandemia para  nos dominar pelo pânico que nos transforma em seguidores de homens que têm mais temor à morte do que a Deus. Que tanto cá em Portugal como no Brasil ouçamos a frase que invariavelmente sempre é dita pelos anjos e pela Virgem em todos os relatos de suas aparições: NÃO TENHAIS MEDO!

Sabemos que, no fim, seu Imaculado Coração triunfará.

Brás Oscar é colunista e correspondente do BSM em Portugal, youtuber no Canal do Brás  e coapresentador de notícias e análises no Canal do Paulo Henrique Araujo. Mora a 11 quilômetros do Santuário de Fátima.