ELEIÇÕES 2022

Na reta final, acirra a disputa pela vaga do Senado no segundo maior colégio eleitoral do país

Especial para o BSM · 1 de Outubro de 2022 às 14:10

Em Minas Gerais, o cenário eleitoral é de confronto "sujo" para conquistar uma vaga no Senado

O segundo maior colégio eleitoral do país é o cenário de um intenso confronto para conquistar uma vaga para o Senado. Na reta final da eleição, o tom da campanha se elevou ao máximo, com tudo, e jogo sujo.

Em Minas Gerais, o deputado estadual Cleiton Gontijo de Azevedo, conhecido como Cleitinho (PSC), lidera em todas as pesquisas de intenção eleitoral. Na mais recente, publicada em 30 de setembro, pelo Datafolha, ele aparece com 40% de apoio, seguido pelo senador Alexandre Silveira (PSD), com 27%.

Cleitinho é o candidato do Presidente Jair Bolsonaro no estado, enquanto Silveira é aliado do ex-presidiário Luiz Inácio Lula da Silva.

Todavia, o confronto não é entre eles dois. Parece que, mais uma vez, como nas duas últimas eleições, a esquerda não terá o apoio para preencher as vagas da Câmara Alta. E na própria casa de campanha da Silveira já se percebe um ar de derrota.

A luta acirrada é pelo voto conservador ou "o voto não esquerdista" dos mineiros. O deputado federal Marcelo Aro (PP), com apenas 19% das intenções de voto, de acordo com a pesquisa acima mencionada, e aliado do governador Romeu Zema, embarcou em uma corrida frenética para assumir a liderança no pleito.

Jogo sujo

Nas últimas três semanas, uma guerra suja, cheia de golpes baixos, foi desencadeada nas redes sociais contra o candidato escolhido por Bolsonaro. Fragmentos de vídeos velhos, com mais de uma década, foram jogados nas redes sociais, e neles, Cleitinho - naquela época um vlogueiro irreverente - chuta uma imagem de Bolsonaro ou aparece com travestis ridicularizando políticos em geral. Em outro, ele é acusado de ter votado a favor de um projeto de lei que impunha o livre acesso a banheiros segundo “a identidade de gênero” em locais públicos e empresas. Também tentaram envolver a sua família.

Foi acusado de ser um oportunista, um potencial traidor do Presidente e um defensor da ideologia de gênero. Evidentemente, surgiram questionamentos por parte de organizações cívicas e de apoiadores do Presidente Bolsonaro.

O deputado Cleitinho, tem uma trajetória ligada à luta contra a corrupção e à defesa dos valores tradicionais, que inicia em 2016, quando conquistou uma cadeira de vereador na Câmara Municipal de Divinópolis, importante cidade de Minas Gerais, a 160 quilômetros de Belo Horizonte. Logo, em 2018, chegou à Assembleia Legislativa de Minas Gerais, onde ganhou destaque por seu perfil “disruptivo”.

Não foi ele quem procurou a bênção de Bolsonaro, mas um articulador mineiro de toda a confiança do Presidente. No primeiro encontro, Cleitinho explicou a Bolsonaro que ele tinha chutado uma imagem sua no passado. Bolsonaro riu e disse_ “bobagens que todos nós fazemos quando somos jovens". Ali, uma aliança foi “assinada”.

Com relação ao projeto de lei (PL 2.316/20), de fato votou a favor dele, porque – disse – não sabia que continha ideologia de gênero. Não foi o único, a maioria dos parlamentares da Assembleia Legislativa de Minas Gerais votaram da mesma forma, com honrosas exceções. Quando foi questionado sobre a carga ideológica da iniciativa, Cleitinho, surpreendido, reconheceu o erro e trabalhou – junto a outros legisladores e líderes cidadãos - para obter o veto total do governador Zema. 

Recentemente, com a associação Mães Direitas, ele se comprometeu a se assessorar em matéria da chamada “agenda de costumes”; e em 28 de setembro assinou um Termo de Compromisso pela Vida, a Família e os Valores Fundamentais, com o Movimento de Valores pelo Brasil.

Dois candidatos bolonaristas?

A três dias da eleição o deputado Cleitinho, publicou um vídeo onde denuncia que o jogo sujo contra ele, tem origem na campanha de Aro. Imediatamente, na sexta-feira, 30, o Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais ordenou que fora apagado das redes sociais. 

Paralelamente à campanha de difamação contra Cleitinho, Aro foi levantando progressivamente temas caros ao bolonarismo, especialmente, a luta contra o aborto e contra o ativismo do Poder Judiciário. Sua candidatura começou a ser divulgada, informalmente, em diversos chats y redes, como uma opção para os que apoiam a reeleição do Presidente.

Num desses grupos, se levantou uma alerta: lembraram que em 2012, na sua primeira campanha, para vereador, Aro recusou-se a assinar um Termo de Compromisso, mas muito semelhante ao que foi assinado por Cleitinho.

Naquela ocasião ele se apresentava como candidato dos católicos em Belo Horizonte, e procurou o apoio de um grupo que lhe popôs assinar um compromisso com os valores cristãos. Ele recusou-se. Argumentou que um dia, "seria presidente da República" e não podía se expor a que o documento fora, no futuro, usado contra ele por alguns setores, por exemplo, a "comunidade LGBT" porque no texto de defendia o matrimônio natural.

Militantes de alguns grupos de rua também fizeram seu trabalho, e identificaram que na Câmara dos Deputados e sentido oposto ao do governo, por exemplo: votou a favor da prisão do deputado, Daniel Silveira e do aumento do 'Fundão'; e também contra o voto impresso e auditável. Se absteve sobre a Lei Paulo Gustavo, e sobre o projeto de lei que oferecia maior segurança jurídica para Caçadores, Atiradores e Colecionadores. 

E vieram à tona diversas denuncias publicadas pela imprensa respeito a supostos atos de corrupção nos partidos que tem dirigido e na Federação Mineira de Futebol. Aro rejeita as acusações afirmando que não existe nenhum processo contra ele.

Esse conjunto de “advertências” parecem ter gerando certa rejeição a seu nome em ambientes bolsonaristas. Mas Aro, considerado um bom articulador, assegura ter 600 prefeitos de Minas apoiando sua candidatura, e disse estar convencido de que ganhará.

Mas, se perde, será “acolhido” no governo Zema.

Cleitinho, por sua parte, iniciou a campanha já com um robusto apoio em diversas regiões do estado, e tem feito um árduo corpo a corpo para ter capilaridade nas cidades do interior de Minas. O 40% de apoio que as pesquisas apontam, pode estar muito perto da realidade. E o voto dado a Cletinho virá praticamente sempre acompanhado do voto em Bolsonaro. Dificilmente se pode dizer o mesmo do voto dado a Aro.

 


"Por apenas R$ 29/mês você acessa o conteúdo exclusivo do Brasil Sem Medo e financia o jornalismo sério, independente e alinhado com os seus valores. Torne-se membro assinante agora mesmo!"