CAOS JURÍDICO

Mulher é detida em Brasília por não usar máscara

Douglas Pelegati · 11 de Maio de 2020 às 15:45

A bióloga Paula Félix tentou entrar em uma loja da rede de supermercados Pão de Açúcar mas acabou levada para a delegacia por estar sem máscara. O crime cometido? Ninguém sabe

A escalada da insensatez da pandemia ganha mais um caso grave de violação de direitos e falta de bom senso. Por volta das 11h, em Brasília, uma cidadã foi impedida de entrar num supermercado e comprar comida para preparar o almoço dos filhos. Seu crime: estar sem máscara.

Paula Félix, bióloga e funcionária pública, postou sua história numa rede social e, até momento do fechamento dessa matéria, estava aguardando em uma delegacia de polícia.

Por volta das 11h, segundo ela, dirigiu-se à uma loja da rede Pão de Açúcar para comprar comida e foi impedida de entrar pois não usava a máscara de tecido ou similar. Ora, precisando de comida para os filhos, pediu então que o gerente fosse chamado e, sem resolver a situação, o gerente acabou por chamar a polícia.
 
Toda a confusão aconteceu, segundo Paula, pela negativa do gerente em fornecer, por escrito, uma negativa da sua entrada na loja. Chamada então a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), foi apresentado um Termo Circunstanciado (TC) em que Paula admitia haver cometido um crime mas sem que a natureza e os fatos do crime fossem descritos. Na prática, uma carta branca sobre um crime sem natureza.
 
Com a nova recusa, agora em assinar o documento apresentado, Paula Félix aguarda desde o meio-dia na 5ª Delegacia de Polícia de Brasília para que seja lavrado um auto de flagrante ou que o TC seja apresentado com a descrição do ocorrido. À nossa equipe, Paula afirmou que já foi apresentado um novo TC na delegacia, porém com o mesmo molde do oferecido pelo agentes policiais: um TC com admissão de culpa, sem especificação da natureza do crime ou descrição dos fatos.
 
Ainda na delegacia, ela aguarda do lado de fora, pois não pode ser conduzida ao interior do prédio por estar sem máscara. O delegado ainda não a recebeu e, segundo ela, estaria dentro da delegacia cuidando de outros casos enquanto a faz aguardar no lado externo do prédio. Um dos agentes, segundo Paula, informou que o delegado estava ausente, em horário de almoço, o que foi desmentido por outras pessoas presentes.
 
Fica então aqui a cena kafkiana de uma mulher, na porta da delegacia, que não pode sair sem assinar um documento com o qual não concorda, que não é atendida pela autoridade policial e que não é nem acusada nem atendida em suas solicitações, que são legítimas. 

De acordo com Paula, seus filhos estão sozinhos em casa, e sem almoço.

A Redação do Brasil Sem Medo aguarda mais novidades sobre o caso.