IRMÃS ASSIS

Miséria, caos e socialismo: um ano da Ditadura K

Maria Laura de Assis e Maria Eugênia de Assis · 13 de Dezembro de 2020 às 10:20

Em 365 dias, Alberto Fernández, poste de Cristina Kirchner, conseguiu a proeza de transformar a Argentina em uma Venezuela do Sul

Alberto Fernández tomou posse como presidente da Argentina no dia 10 de dezembro de 2019. Na última sexta-feira, exatamente um ano e um dia depois, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto de descriminalização do aborto, sob o aplauso esfuziante da militância esquerdista. O simbolismo é evidente: tantos os bebês no ventre de suas mães quanto a nação argentina estão recebendo uma sentença de morte assinada pelo poste de Cristina Kirchner.

Um ano de política parece não ser o suficiente para cumprir com toda uma agenda, principalmente para quem acaba de assumir o mandato. No caso argentino foi diferente: um ano passou a ser uma eternidade. Com os 365 dias de desgoverno de Alberto Fernández, o país entrou em uma grave crise política, econômica e social. Neste curto período, foram registradas mais de 9 mega manifestações por todo o país, contra o atual governo. 

Em dezembro do ano passado, Mauricio Macri entregava a faixa presidencial para Alberto Fernández. Já era uma tragédia anunciada. Dois dias após a posse, o ex-presidente da Bolívia, Evo Morales, pediu asilo político na Argentina alegando que tinha sofrido um “golpe”. Fernández não só aceitou hospedar o seu companheiro, que desfrutou de todos os luxos durante a sua estadia no país, como também realizou um ostentoso jantar no dia da sua despedida. 

O vírus que impactou o mundo chegou em março ao território argentino. Frente a esse cenário, a resposta imediata de Alberto foi decretar o que mais tarde se conheceria como a quarentena mais extensa e rígida do mundo. De um dia para o outro o país entrou em lockdown, fechando todo tipo de fronteiras, comércios e escolas. Com as constantes ameaças por parte do governo, com a instauração do medo por parte dos grandes meios de comunicação e com o severo controle policial que tinha como objetivo garantir o cumprimento da “quareterna”, a ditadura K avançou a largos passos no caminho para tornar o país uma Venezuela do Sul. Através do enunciado #FicaEnCasa, os Fernández aproveitaram para fazer uso dos Decretos de Necessidade e Urgência (DNU).

Em junho, começaram os graves ataques à propriedade privada, iniciados pela tentativa de expropriação da empresa Vicentin. O governo, "surpreendido" com o grande número de argentinos que saíram para manifestar-se contra tais medidas, teve que desistir dessa empreitada. Com a mesma lógica, Alberto decidiu declarar as empresas de televisão, celular e internet como serviços essenciais, seguindo os mesmos passos do regime venezuelano. Em outubro, com a cumplicidade do governo, aconteceu a maior ocupação ilegal de terras privadas da história do país, sendo a região de Guernica a mais emblemática. Logo após oferecer um subsídio de 50 mil pesos para cada usurpador de terra, o governo conseguiu minimizar o problema que está longe de terminar.

No âmbito econômico, a marionete da Cristina tampouco teve muito êxito. Com as medidas de “a saúde primeiro, depois vemos a economia", o país entrou em uma brutal recessão. O impedimento da circulação entre os estados, a suspensão das rotas aéreas e a proibição da demissão de funcionários fizeram com que muitas empresas deixassem o país entre elas Walmart, Danone, Latam, Nike e Mercado Livre. Outras tiveram um destino mais triste: fecharam as portas, gerando um recorde no índice de desemprego, que atinge 3,7 milhões de argentinos. Segundo pesquisa realizada pela UCA, a queda nos empregos lançou 44,2% dos argentinos abaixo da linha da pobreza e 10,1% a condições de indigência.

O poder legislativo trabalhou a todo vapor para conseguir levar adiante os desejos da vice-presidente Cristina Fernández de Kirchner. A polêmica “reforma do poder judicial” mereceu uma atenção especial, para tentar garantir a impunidade de Cristina. O texto já foi aprovado no Senado em agosto, mas ainda depende da definição da Câmara dos Deputados. Outros dois projetos de lei impulsionados pelo governo foram a taxação das grandes fortunas que teve a sua aprovação definitiva em dezembro e a já mencionada legalização do assassinato de bebês. 

A morte de Diego Maradona terminou de comprovar a hipocrisia da esquerda. Ignorando todos os protocolos impostos pelo seu próprio governo durante a pandemia e todos os casos de mortes ocorridas no país como consequência dessas medidas, o presidente realizou um multitudinário velório na Casa Rosada. O que era para ser uma despedida ao camisa 10 terminou em confrontos com a polícia e em uma invasão à casa do governo. 

Existem governos bons, existem governos ruins e existe o governo Fernández. Aos leitores brasileiros, dizemos sem medo: Como deve ser bom ter um presidente!

 Maria Laura Marcondes Machado de Assis  Jornalista. Comunicação Social (Universidade de Buenos Aires). Traz notícias e análises exclusivas sobre o governo argentino.

 Maria Eugenia Marcondes Machado de Assis  Comentarista política. Ciência Política (Universidade de Buenos Aires). Acompanha de perto os bastidores do governo argentino.


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