GLOBALISMO

Mídia: o princípio do fim

Alexandre Costa · 15 de Outubro de 2021 às 15:45

Cada vez mais decadente e menos confiável, a grande mídia tenta sobreviver demonizando os críticos e defendendo a censura

 

 

“O advento da grande mídia democratizou a ignorância.”
(Olavo de Carvalho)

Qualquer um que tenha se dedicado ao estudo de um fenômeno político ou de um evento de importância na história contemporânea vai perceber, de imediato, que a mídia sempre teve alguma influência no rumo desses acontecimentos.

Não acredito que esse papel, mesmo privilegiado, faça desse grupo um Quarto Poder, como alguns afirmam, porque a dependência das verbas publicitárias está na essência do seu modelo de negócios. Em todo o mundo, os recursos que sustentam as empresas de mídia vêm do setor privado e, em razão o alto custo envolvido, majoritariamente das grandes corporações internacionais. 

No Brasil, por conta da grande concentração de mercado e de uma anomalia tupiniquim, a mídia sempre foi ainda mais dependente. Explico: como são poucas empresas de comunicação, os espaços são mais restritos e mais caros, o que reduz o número de potenciais anunciantes e fortalece a posição dos grandes grupos multinacionais. E a parte da anomalia – ou jabuticaba – diz respeito ao uso de verbas públicas para comprar consciências, aliciar ou domar jornalistas enquanto se faz propaganda do governo.

Além de corroer a independência da mídia, o farto dinheiro público levou as empresas a um estado de acomodação profissional. E com o tempo essa apatia virou uma torpeza viciante que incapacitou o setor administrativo, que deixou de se preocupar com eficiência e corte de gastos, e a área comercial, que desaprendeu a vender.

No mundo inteiro a mídia convencional passa por um momento delicado, com as verbas migrando para as plataformas digitais onde os reis são outros. A situação é ainda mais grave para as empresas brasileiras, que perderam também o dinheiro público que as viciava...