EXPERIMENTO SOCIAL

Jovem negro morre em “zona livre de policiais” nos EUA

Lucas Ribeiro · 4 de Julho de 2020 às 14:14

Horace Lorenzo Anderson Junior, um jovem negro de 19 anos, foi assassinado em zona criada por militantes radicais do movimento Black Lives Matter

Horace Lorenzo Anderson Junior foi a primeira pessoa morta no experimento social de extremistas de esquerda em Seattle. Nas últimas quatro semanas, em meio aos protestos pela morte de George Floyd, grupos radicais em Seattle tomaram seis quarteirões da cidade e os transformaram numa área livre de policiais chamada “Capitol Hill Occupied Protest” (CHOP). Os grupos criaram uma espécie de milícia privada para controlar a área e ocuparam inclusive um posto policial, com a anuência e júbilo da prefeita democrata, Jenny Durkan, que caracterizou o protesto como um “verão do amor”.

A ideia do projeto era mostrar que uma sociedade sem a polícia — considerada por eles como parte um de sistema de “racismo estrutural” — seria viável. Coletivos de radicais de esquerda, simpatizantes do Black Lives Matter, Antifas e outros grupos socialistas, tomaram alguns quarteirões de um bairro de Seattle, expulsaram os policiais (inclusive da estação de polícia) e passaram a controlar a região.

A CHOP prometia ser uma sociedade idílica e paradisíaca livre da opressão policial, do racismo, promovendo as artes, a igualdade e a fraternidade. No fim das contas acabou por ser o equivalente a um enorme acampamento do PSOL e do Fórum Social Mundial, no qual pessoas desempregadas, jovens de classe média cheios de culpa, artistas descolados e/ou decadentes armavam suas tendas, usavam drogas, assistiam filmes progressistas e filosofavam numa mistura de Ocuppy Wall Street com boas doses de propaganda identitária.

Entretanto, a utopia dos radicais progressistas foi ficando mais parecida com o romance “Senhor das Moscas” do William Golding, no qual o mito do bom selvagem revela-se uma trágica ilusão. Seja com as crianças na maravilhosa obra de Golding ou com os “Señoritos Satisfechos” do progressismo gringo, a realidade e a natureza humana acabam por se impor o seu lado mais sombrio na ausência da lei e da ordem. Quem mora num bairro boêmio sabe-se do inconveniente do barulho, desordem e degradação pelo uso de drogas e de farras em sua vizinhança. Para entender esse experimento social basta imaginar como seria o equivalente a militantes do PSOL, artistas engajados e desempregados controlando algumas quadras no Leblon, nata da esquerda caviar carioca.

Tudo isso poderia ser apenas uma enorme confraternização progressista. Por quatro semanas, os policiais simplesmente não entravam nesse território, e isso era sempre retratado como uma evolução civilizacional por parcela significativa da imprensa americana...