GRANDE MÍDIA

Jornais brincam com o fogo — e a fumaça lhes ofusca a consciência

Cristian Derosa · 25 de Junho de 2020 às 14:14

Jornalismo vem criando um tribunal inquisidor que imita não a verdadeira inquisição católica, mas o mito mais vulgar que se fez dela: uma instância absoluta e arbitrária que se vale da confiança inabalável na entronização de uma persona de direito divino —Alexandre de Moraes, o ungido

O jornalismo brasileiro vem entrando num terreno perigoso na tentativa de imputar crimes a adversários políticos da esquerda. Em geral, conservadores e liberais são pautados pela defesa intransigente da liberdade e dos princípios que originaram a democracia, diferentemente de socialistas e burocratas, que historicamente se pautaram pela busca insaciável de poder. Até esquerdistas mais ortodoxos percebem o risco: o site Causa Operária já chamou a atenção para o risco que a própria esquerda corre ao festejar coisas como a prisão de Sara Winter.

Mas os jornais preferem jogar este jogo, não importando o risco que eles próprios correm.

Recentemente, o ministro Alexandre de Moraes, que vem aterrorizando a internet com seus inquéritos persecutórios, acusou o colunista Tales Faria, do portal UOL, de disseminar fake news, ao noticiar que o ministro teria formado um “cinturão antigolpe com empresários” juntamente com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM).

A jornalista Camila Abdo, colaboradora do site Estudos Nacionais, entre outros, teve a casa literalmente invadida pela Polícia Federal. Ela diz ter acordado com os policiais no seu quarto. Relatou ter pensado ser um assalto e protegeu o filho menor que dormia com ela. Felizmente, era só a polícia, que jogava seus equipamentos dentro de um saco sem dizer nada. Assim como ela, outras dezenas de jornalistas e blogueiros têm passado noites em claro, sem saber se serão a próxima casa a ser invadida. O crime? Nenhum. Nem mesmo policiais sabem informar.

Mas a própria Polícia Federal já estranha toda essa operação claramente política. “Eles estavam desconfortáveis com seus atos”, contou Camila.

O macabro Inquérito das Fake News simula um tipo de ministério da verdade, em nome da qual tudo é permitido. Mesmo sendo questionado por juristas e até pela própria Polícia Federal, os inquéritos avançam, mudando de nome e ganhando novos “indícios”. Eles dizem suspeitar de uma rede financiada de disseminadores de fake news. No fundo disso, como expliquei em artigo anterior, está o grande fingimento que parte dos jornais, somado a algum medo terrível que parece estar tirando o sono do grande e digníssimo ministro que comanda o Inquérito...