TERRA SANTA

Israel no governo Trump e a Grande Fake Mídia

Ricardo Gancz · 10 de Novembro de 2020 às 10:25

Colunista do BSM em faz uma análise sobre as realizações do presidente norte-americano que beneficiaram a nação israelense

Para Israel, a presidência de Donald Trump ficará marcada por uma série de decisões que envolveram justiças históricas, passaram pela diminuição de ameaças terroristas e culminaram em um acordo de paz que o mundo dizia ser impossível. Fazer uma retrospectiva da influência de Donald Trump à Israel é também uma oportunidade de ver como a Grande Fake Mídia retratou os fatos.  Falemos sobre eles.
 

A mudança da embaixada para Jerusalém

Bill Clinton ganhou as eleições em 1992 criticando George Bush por não transferir a embaixada para Israel. Porém, ele mesmo se recusou a fazê-lo. Percebendo que Clinton tinha renegado sua promessa, o Congresso Americano passou uma lei em 1995 obrigando os Estados Unidos a mudar a embaixada em Israel para Jerusalém. Porém, a lei permitia que o presidente adiasse a mudança por seis meses e assim fez Clinton até o final de seu governo, em janeiro de 2001.

George W. Bush tinha prometido transferir a embaixada para Jerusalém no início de seu governo, mas de seis em seis meses, mas usava seus poderes presidenciais para adiar a decisão, e assim foi até o final de seu governo. Barack Hussein Obama disse em campanha que Jerusalém era a capital de Israel, mas somente alguém com a acuidade analítica do Guga Chacrinha poderia levá-lo a sério. Portanto, tal mudança foi adiada por mais oito anos.

Até que Donald Trump fez a promessa em campanha, foi eleito e para o espanto de muitos, rompeu com a prática de 24 anos de promessas vazias. Ele mudou a embaixada para Jerusalém. Por isso, ele foi criticado por ex-embaixadores, por analistas políticos, ex-presidentes e congressistas, além de toda a grande mídia, dizendo que tal medida iria gerar onda grande de violência e o isolamento de Israel do mundo árabe. A violência não aconteceu e o mundo árabe nunca esteve mais perto de Israel como hoje. Trump 1 x 0 Grande Fake Mídia.

 

Irã

Barack Hussein Obama foi responsável por revitalizar financeiramente a máquina terrorista iraniana (escrevi sobre isso em outros artigos). Hussein também foi responsável por assinar um acordo com um dos maiores financiadores de grupos terroristas atuais, no qual explicitamente permite que o Irã precisa se comportar um pouquinho agora mas depois de 15 aninhos se comportando (já se passaram 5), o prêmio é poder legitimamente fazer uma bomba atômica. Para Hussein Obama, “isso seria bom para os Estados Unidos e muito bom para Israel”.

Trump corretamente disse que isso foi “horrível, risível e o pior acordo feito na história” ― e rompeu o acordo. A Grande Fake Mídia e a esquerda ficaram atemorizadas, dizendo que a decisão de Trump levaria o Irã a ir atrás de uma bomba nuclear. O Irã engoliu o prejuízo, que só não foi maior pois a União Européia, Rússia e China não permitiram que o Irã recebesse sanções devido aos mísseis balísticos. Trump 2 x 0 Grande Fake Mídia.

Ainda falando sobre o Irã, Trump foi bem sucedido em eliminar o terrorista Qassem Soleimani, general de alto escalão iraniano e responsável por vários grupos terroristas ao longo do globo. Chacrinhas olhavam para o fato sem entender nada e a grande mídia chorou pelo terrorista e acusou Trump até mesmo de assassino enquanto previa o início da Terceira Guerra Mundial causada por uma criança brincando de bangue-bangue. Ao invés disso, o Irã ficou quieto e entendeu que Donald Trump não é como seu antecessor cuja política exigia que Israel se defendesse de um estupro com o traseiro. Trump 3 x 0 Grande Fake Mídia.

 

Israel e Autoridade Palestina

Já escrevi sobre como parte da economia da Autoridade Palestina está ligada com o “pagamento para matar”. Trump deu um ultimato à Autoridade Palestina dizendo que se eles não renunciassem a política de incentivar e dar pensões vitalícias aos terroristas em função do sucesso em matar homens, mulheres e crianças israelenses, ele não lhes daria mais dinheiro. Abbas, que está chegando ao 16º ano de uma presidência cujo mandato é de quatro anos, disse que isso nunca iria acontecer e que a política era sagrada. Trump cortou o dinheiro e a Grande Fake Mídia foi obrigada a tentar minimizar a seriedade do que é o “pagamento para matar”. Por fim, acharam melhor não bater muito nessa tecla. Trump 4 x 0 Grande Fake Mídia.


Trump e Mundo Árabe

Depois de todos esses sucessos, a maior demonstração de habilidade de Trump apareceu com a proposta para Israel e Autoridade Palestina que culminou com o reconhecimento de Israel ou sua iminência pelos Emirados Árabes, Sudão, Bahrein, Arábia Saudita e Omã. Trump e Netanyahu conseguiram isso ao mudar as regras do jogo. Explico.

Enquanto Barack Hussein Obama deixava a Autoridade Palestina como sendo a dona da bola e das regras, nada acontecia além de atendados terroristas e condenações na ONU à Israel. De acordo com a lógica do governo Obama, Israel deveria aceitar uma situação onde suas fronteiras ficariam indefensáveis contra terroristas e acreditar que os terroristas deixariam de sê-lo, confiando na palavra de Hussein Obama. 

Trump se declarou o novo dono da bola e deixou bem claro para a Autoridade Palestina que se a situação não se resolvesse, Israel aplicaria soberania nos territórios em disputa e os Estados Unidos iriam reconhecer. Em contrapartida, Trump ofereceu uma quantidade colossal de dinheiro para um real e sustentável desenvolvimento econômico para a Autoridade Palestina além da possibilidade de sentar na mesa de negociações com Israel e definir as fronteiras para um Estado. Com um porém: Israel deveria ser reconhecida e o terrorismo renunciado. A proposta foi prontamente aceita por Israel e recusada pela Autoridade Palestina. Trump publicamente disse que os Estados Unidos iriam reconhecer uma anexação dos territórios em disputa.

A choradeira foi geral. Trump foi acusado de querer começar uma guerra no Oriente Médio, de não saber o que estava fazendo e de estar cego às necessidades da região. Clinton, Bush e Obama, a União Europeia, a ONU, celebridades e analistas políticos junto com a Grande Fake Mídia repetiam em uníssono: árabes e israelenses só farão paz quando Israel se submeter à Autoridade Palestina e as políticas de Trump isolariam Israel como nunca dentro da geopolítica do Oriente Médio. 

Lembremos agora que no Oriente Médio, diferentemente do que a Grande Fake Mídia e do que os professores universitários falam, toda negociação é vista não somente a partir de ameaças e declarações de força, mas de ações. O que o Trump fez foi, por um lado, um ultimato, mas também criou uma situação ótima para que os países árabes passassem a reconhecer Israel.

Para os países árabes, dar esse passo tem um revés na política interna, pois durante décadas os governantes desses países alimentaram uma retórica de apoio a “causa palestina” e de Israel como um inimigo. Contudo, essa causa vem perdendo força após as décadas de corrupção por Abbas e, antes dele, Arafat. Cada vez mais, a Autoridade Palestina é criticada dentro do mundo árabe como corruptos que estão usando o dinheiro recebido para enriquecer o próprio bolso. As várias oportunidades perdidas reforçam essa crença e aumentam a idéia de que não há um desejo de uma solução realista.

Na política externa, o Irã se firmou como uma ameaça aos países sunitas e, muito embora já há uma cooperação na área de segurança nos bastidores, ela sempre foi feita com muita delicadeza para não parecer um “apoio ao inimigo”. O que Trump fez?

No aspecto de segurança, Trump e Netanyahu aceitaram que Israel que os Emirados Árabes pudessem comprar caças F-35 e assim estabelecer um poderio superior ao do Irã. Para fazer que Netanyahu aceitasse, Trump concordou que Israel pudesse comprar caças F-22, que Hussein Obama se recusou a vender por não querer dar um avião com tecnologia superior.

Para os países árabes, a aquisição dos F-35 os colocam com uma força aérea superior a do Irã e isso por si só seria um bom argumento para fazer o acordo com Israel. Porém a percepção de que Trump realmente iria permitir que Israel anexasse os territórios em disputa criou a possibilidade dos países árabes normalizassem as relações com Israel com um preço a se pagar para Israel não fazer a anexação. E, assim foi feito. A reação na política interna dos países árabes foi positiva e outros se juntaram.


Trump fez o que Bush, Hussein Obama, Joe Biden, o resto da esquerda americana, a União Européia e a ONU disseram ser impossível: em um só mandato, ele fez um acordo de paz entre judeus e árabes e abriu caminho para um Oriente Médio mais próspero. Isso não impediu que Trump fosse criticado e até mesmo vilipendiado pelo acordo. Essa mesma grande mídia não achou nada estranho quando apesar de 91 senadores americanos terem aprovado uma moção de parabenização pelo acordo, Kamala Harris se recusou a assinar junto com o JAN Bernie Sanders (JAN significa ‘Judeu Apenas Nominalmente’). Trump 5 x 0 Grande Fake Mídia.

Caso Trump fique na presidência, podemos esperar um enfraquecimento do Irã e mais países árabes fazendo acordo com Israel. Possivelmente veremos o sucessor de Abbas, que apesar de estar no final do décimo-sexto ano de seu mandato de quatro anos, está com quase 85 anos de idade e sendo bastante pressionado para indicar um sucessor. Certamente Trump irá influenciar nessa sucessão de forma positiva, isto é, ameaçará o futuro líder caso ele não pare de apoiar o terrorismo.

Olhar para os primeiros quatro anos do Governo Trump nos permite ver um padrão da Grande Fake Mídia: Trazer especialistas, dar a impressão de um consenso, inventar cenários apocalípticos, escarnear, omitir e mentir. Quando a realidade prova que eles estava todos errados, a Grande Fake Mídia não se incomoda: ela repete e insiste, cada vez com mais força e sem nunca olhar para trás. Quem faz isso não é jornalista. Das duas uma: ou são os maiores incompetentes já vistos ou são mentirosos conscientes da pior estirpe. Tertium non datur. 

― Ricardo Gancz é doutor em Filosofia, professor de Grego Clássico e Filosofia na Universidade Bar-Ilan, analista político e correspondente do BSM em Israel.


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